10 Nov, 2016

Qualidade dos cuidados de saúde não é igual em todo o país

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) reconheceu […]

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) reconheceu hoje que “não é possível oferecer os melhores cuidados de saúde em todos os pontos do país”, até porque “nem existem profissionais com capacidade técnica para o fazer”.

Alexandre Lourenço falava à agência Lusa a propósito do VIII Fórum do Medicamento da APAH, que vai realizar-se na sexta-feira e é subordinado ao tema Modelos de Gestão da Inovação em Oncologia.

“Temos de ter uma abordagem ao sistema de saúde que garanta a equidade de acesso e consiga oferecer os melhores cuidados de saúde possíveis. Também temos a noção de que não é possível oferecer os melhores cuidados de saúde em todos os pontos do país e em todos os hospitais do país”, disse.

Para o presidente da APAH, os melhores cuidados de saúde pressupõem, entre outros aspetos, a existência de “capacidade técnica”, já que “estes medicamentos inovadores têm de ser manuseados por profissionais com grande experiência”.

Trata-se de “medicamentos com uma utilização que tem de ser mais avalisada e até pelos custos envolvidos, pois estamos a falar de medicamentos que por vezes ultrapassam os 100 mil euros por tratamento, ou 200 mil euros, que têm de ser muito cuidadosamente utilizados”.

Na opinião de Alexandre Lourenço, o que é necessário garantir é, “se em último caso o doente tiver de se deslocar, condições para que essa deslocação cause a menor perturbação possível e, por outro lado, ter mecanismos para esses centros com competência técnica conseguirem deslocalizar alguma dessa competência s para os hospitais com menor dimensão e menor capacidade”.

“É preciso ter a noção de que os melhores cuidados possíveis são proporcionados por largas equipas multidisciplinares que tenham uma larga experiência na prestação de cuidados de saúde e isso não se consegue garantir em todos os pontos da rede”, adiantou.

Por esta razão, Alexandre Lourenço insiste na necessidade do desenvolvimento de centros de referência e de excelência do país que prestem os melhores cuidados de saúde possíveis.

Sobre o tema do Fórum, Alexandre Lourenço lembrou que “as causas de morte que geralmente eram focadas nas doenças cardiovasculares passaram a estar focadas mais intensamente nas doenças oncológicas e estas alterações tiveram repercussões nas necessidades da população e no recurso ao serviço nacional de saúde”.

“É expectável que a oncologia comece cada vez mais a ser mais relevante na prestação de cuidados de saúde”, adiantou.

O Fórum contará com os contributos de deputados, da presidente da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS), Marta Temido, do presidente do INFARMED, Henrique Luz Rodrigues, da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, do presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes.

Sofia Crisóstomo, do fórum Mais Participação, Melhor saúde, e Élia Costa Gomes, do Centro Hospitalar do Porto, marcarão igualmente presença neste encontro.

SO/LUSA

 

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