Que tipo de doentes necessitam, habitualmente, da reabilitação respiratória?

Os doentes respiratórios crónicos, de um modo geral, mas, sobretudo, os doentes com DPOC. Não serão todos, isso será avaliado caso a caso, conforme o estadio da doença. Essa reabilitação vem dar mais qualidade de vida às pessoas. O objetivo é diminuir a ocorrência de tosse, a falta de ar, de exacerbações.

Como é feita a reabilitação na prática?

Inclui o acompanhamento do doente a um nível multidisciplinar (nutricionista, psicólogo) e um plano de exercícios físicos. A DPOC deixa as pessoas muito fatigadas e as pessoas têm tendência para não se mexerem. Entra-se aqui num ciclo vicioso: as pessoas estão cansadas e não se mexem; e não se mexem porque estão cansadas. O objetivo é que não caiam neste ciclo de imobilidade e fadiga.

Como está, neste momento, o acesso à reabilitação em Portugal?

Com algumas dificuldades. Estimamos que só 2% dos doentes com DPOC tenham acesso à reabilitação. Há poucos centros e isso cria dificuldade de acesso. Os centros que existem estão localizados no litoral, o interior está muito desprotegido. Há um problema de organização dos serviços de saúde respiratória.

2% traduz-se em quantas doentes?

Muitos poucos. Admitimos que nem todos os doentes precisariam mas, ainda assim, estamos a falar de muito gente que não tem acesso. Outro problema é que não temos verdadeiramente ideia de quantas pessoas existem em Portugal com DPOC (há dados que indicam 400 mil, outros 500 ou 800 mil).

Em que consiste o projeto que foi o vencedor da primeira edição do Prémio Luísa Soares Branco, precisamente na área da reabilitação respiratória?

É um projeto na área do Sotavento Algarvio que, para as várias áreas (cessação tabágica, doenças respiratórias, saúde oral), fez uma visão integrada de forma a ajudar as pessoas que vivem com DPOC. Começando pela reabilitação respiratória e indo mais longe, fazendo também rastreios de cancro oral, indo, assim, ao encontro dos fumadores – A esmagadora maioria das pessoas com DPOC são fumadores.

Este projeto foi o escolhido pelo júri e mereceu especial distinção pela sua abrangência, pela ligação à comunidade. Isto traduz-se, na prática, na ida dos doentes aos centros de saúde, onde fazem a reabilitação respiratória, os rastreios.

Este projeto visa melhorar o controlo e gestão da DPOC e das respetivas comorbilidades, promover a adesão à terapêutica, a autogestão da doença, diminuir as exacerbações, reduzir o número e/ou a duração dos internamentos e a utilização de recursos de saúde. Este Programa de Proximidade desenvolvido pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Algarve III – Sotavento mostrou-se eficaz e eficiente, registando uma melhoria na saúde e qualidade de vida dos doentes com DPOC que usufruíram do programa.

TC/SO

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