21 Out, 2016

1º Congresso Nacional do Bebé arranca amanhã em Lisboa

O primeiro Congresso Nacional do Bebé reúne médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas e também pais e famílias para debater temas como o sono, o choro ou o desenvolvimento nos primeiros dois anos de vida

O primeiro Congresso Nacional do Bebé reúne no sábado em Lisboa médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas e também pais e famílias para debater temas como o sono, o choro ou o desenvolvimento nos primeiros dois anos de vida.

Além dos temas centrados no bebé, o Congresso vai discutir igualmente assuntos mais ligados aos pais, como a depressão na gravidez ou no pós parto.

Segundo a psiquiatra Carina Mendonça, cerca de um quinto das mulheres apresenta depressão no período da gravidez e no puerpério, fases que muitas vezes são associadas a alegrias e realizações, o que nem sempre se traduz na realidade.

“Muitas mulheres experienciam tristeza ou ansiedade nesta fase das suas vidas, de forma tão intensa e disfuncional, que torna a vivência da maternidade um verdadeiro sofrimento”, refere em entrevista à agência Lusa a psiquiatra que participará no Congresso Nacional do Bebé.

Vários são os fatores que podem contribuir para uma patologia depressiva ou ansiosa na gestação, como dificuldades financeiras, falta de apoio familiar, relacionamento conjugal e, com grande influência, existência prévia de gravidez ou ansiedade.

No pós-parto, aliam-se as mudanças bruscas a nível hormonal a uma necessidade de reorganização da vida da mulher e do casal.

Carina Mendonça sublinha que quadros patológicos depressivos ou ansiosos acabam por ser muitas vezes ignorados ou desvalorizados na gravidez e pós-parto, “perpetuando um grande sofrimento para a mulher e com consequências nefastas no desenvolvimento da própria gravidez, do parto ou do bebé”.

“Infelizmente ainda existem muitos profissionais de saúde que contraindicam a consulta de especialidade e os respetivos tratamentos. Outras vezes, quando a referenciação à consulta de saúde mental é sugerida, são as mulheres que recusam pelo estigma ou pelo medo relacionado com os tratamentos”, lamenta a psiquiatra.

A especialista lembra que sintomas depressão durante a gestão constituem um fator de risco para depressão pós-parto; por sua vez, casos de mulheres com depressão pós-parto não adequadamente tratadas podem conduzir a prejuízos no desenvolvimento cognitivo e da linguagem do bebé.

“O acompanhamento psiquiátrico nestas fases é primordial (…). A intervenção deverá ser integrada através da associação entre a psicoterapia e a psicofarmacologia”, refere Carina Mendonça, salvaguardando que uma c