O programa Focus é uma iniciativa da farmacêutica Gilead Science, cuja parceria com o Hospital de Cascais é a primeira fora dos Estados Unidos, avança o jornal Público. O programa começou em 2018 e existe também em Lisboa, numa parceria com o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT), e na Madeira.

Os primeiros dados analisados vão até final do ano passado, comparados com os 16 meses anteriores à implementação do rastreio. Com a implementação deste rastreio, quando o doente se desloca à urgência, é inserido no seu fluxo normal de análises o pedido do teste. Quando há um pedido de colheita de sangue, conforme a definição de critérios, sugere-se automaticamente que o teste de VIH faça parte das análises. Por sua vez, doente é informado que o rastreio está a decorrer e cabe a ele decidir se quer ou não realizar o teste.

Em declarações ao jornal Público, a responsável pelo projeto e pela consulta de VIH do Hospital de Cascais, Drª. Inês Vaz Pinto, realça a diferença “enorme no número de diagnósticos”. A médica explica que “cerca de 90% dos doentes diagnosticados na urgência eram diagnósticos tardios e agora são 43%. Esta questão tem muita importância na saúde individual do doente e na saúde pública.”

 

Mais testes realizados após implementação do programa

 

Nos 16 meses que antecederam o inicio do rastreio, foram feitos cerca de 1900 testes de VIH no âmbito da urgência, com uma taxa de positivos de 1,27%. Com o programa, foram cerca de 19 mil testes com uma taxa de positivos de 0,24%. A responsável pelo projeto esclarece que a redução da taxa de positivos “é normal”, uma vez que “antes, os testes eram pedidos por motivos clínicos. São 44 novos diagnósticos só neste período.”

Quanto ao perfil dos doentes, são mais os imigrantes e os jovens até aos 24 anos que chegam às urgências para serem testados.

Devido à pandemia da Covid-19, a procura de urgências diminuiu, o que por sua vez provocou um decréscimo de 36% no número de testes feitos a partir do rastreio. Apesar desta redução, a médica do Hospital de Cascais destaca que “o rastreio e o diagnóstico mantiveram-se, enquanto outros rastreios de organizações não-governamentais tiveram de parar.”

A deteção precoce do VIH é fundamental para o cumprimento das metas estabelecidas pela ONU-SIDA, de até 2030, haver 95% dos doentes diagnosticados, destes ter 95% em tratamento e destes últimos, ter 95% com carga viral indetetável, com o grande objetivo de quebrar cadeias de transmissão e limitar novas infeções da doença.

AR/Público

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