17 Jun, 2021

Variante Delta já é predominante na região de Lisboa

Estima-se que variante associada à Índia já represente 40% da infeções a nível nacional. Na região de Lisboa corresponde a mais de 50% dos diagnósticos

A variante delta (indiana) do SARS-CoV-2  representa mais de 50% dos novos casos na região de Lisboa, adianta o Jornal i. O crescimento de diagnósticos está a aumentar o risco de descontrolo da situação epidemiológica, fazendo o epidemiologista Manuel Carmo Gomes acreditar que “já não será possível travar o aumento de casos sem algumas medidas de confinamento”.

Ao Jornal i, o epidemiologista e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carlos Gomes adiantou que os dados apontam para que esta variante já represente mais de metade dos novos casos de covid-19 em Lisboa. O crescimento da variante é a maior causa para o aumento acelerado dos diagnósticos na região.

Os dados da rede de laboratórios Unilabs têm sido usados para estimar a progressão da nova variante, mas só a análise genética de amostras do vírus, realizadas pelo Instituto Ricardo Jorge é que permite confirmar o peso de cada variante. As amostras de maio indicavam que a variante delta representava apenas 4% dos casos a nível nacional, mas depressa esse valor ficou desatualizado, pois na semana passada tanto a DGS como o INSA reconheceram que já existe transmissão comunitária desta variante no país. A SIC adiantou, na semana passada, que os especialistas do INSA tinham a previsão de que a variante delta já representava 40% dos casos a nível nacional.

Hoje, o Governo reúne-se em conselho de ministros para avaliar a situação nos concelhos em alerta. Para Manuel Carmo Gomes, é difícil conter o aumento de casos em Lisboa sem novas medidas de confinamento, mesmo que não totais: “Penso que já não vamos lá sem algumas medidas de confinamento, será muito difícil”. O especialista considera que já se pode falar de uma quarta vaga que incide sobretudo na população mais jovem, não vacinada e que se não for contida pode alastrar-se para o resto do país.

O epidemiologista considera que já deviam ter sido tomadas medidas, em relação à situação de Lisboa,  anteriormente: “A grande questão que se coloca é porque é que estando o RT acima de 1 há cinco semanas em Lisboa não houve ação mais decisiva para conter os casos, nomeadamente com testagem massiva (…) Este vírus tem esta coisa que as pessoas não aprendem. Os casos começam a crescer muito devagarinho e depois explodem”, conclui.

SO

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