1 Jul, 2026

Vacinação contra covid-19 baixou e contra a gripe estabilizou

O diploma que estabelece o modelo de funcionamento da Campanha de Vacinação Sazonal do Outono-Inverno de 2026-2027 contra a gripe e covid-19 nas farmácias de oficina explica que a DGS ainda terá de definir os critérios referentes à população que pode vacinar-se na farmácia.

Vacinação contra covid-19 baixou e contra a gripe estabilizou

O relatório de avaliação da campanha de Vacinação Sazonal 2025-2026, apresentado hoje, revela uma diminuição de administração de vacinas contra a covid-19 e estabilização da vacinação contra a gripe, em relação à campanha de vacinação anterior. A Campanha de Vacinação Sazonal 2025-2026 do Programa Nacional de Vacinação de 2025 decorreu entre 23 de setembro de 2025 e 30 de abril de 2026 e o relatório hoje apresentado em Viseu contabilizou um total de 3.911.307 vacinas administradas contra a gripe e a covid-19.

Contra a gripe, o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) indica que foram administradas 2.564.625 (1.392.026 em unidades de saúde e 1.172.540 em farmácia) e foram inutilizadas 2.334 doses (1.223 em unidades de saúde e 1.111 em farmácia). No que diz respeito às vacinas contra a covid-19, o relatório indica que foram administradas 1.346.682 vacinas (715.677 em unidades de saúde e 630.972 em farmácia) e inutilizadas 68.891 doses (9.034 em unidades de saúde e 59.857 em farmácias).

O documento da DGS pormenoriza ainda a vacinação em grupos específicos como os mais de 60 anos, os profissionais de saúde os residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI) e estabelecimentos prisionais, entre outros. Nesses utentes, comparando com a campanha de vacinação de 2024/25, o relatório apresenta uma variação positiva no caso da vacina contra a gripe, com exceção para os residentes e profissionais de estabelecimentos prisionais, que apresentou uma baixa em 7%.

Na vacina contra a covid-19, o documento apresenta uma variação negativa em todos os grupos, inclusive nos utentes com idade igual ou superior a 60 anos, com menos 15% e nos profissionais de ERPI em que a variação foi maior, em menos 22%. O único grupo que registou uma variação positiva de 2024/25 para 2025/26 na vacina contra a covid-19 foi o das patologias de risco, com um aumento de 24% de vacinação. O relatório apresenta ainda os casos de reações adversas a medicamentos (RAM) às duas vacinas, referindo que num total de 3.911.307 vacinas administradas, registaram-se 145 RAM (69 contra a gripe e 82 contra a covid-19).

Segundo uma portaria hoje publicada no Diário da República, a participação das farmácias na próxima campanha de vacinação sazonal contra a gripe e covid-19 vai custar ao Estado 7,6 milhões de euros (ME), o mesmo da anterior campanha.

O diploma que estabelece o modelo de funcionamento da Campanha de Vacinação Sazonal do Outono-Inverno de 2026-2027 contra a gripe e covid-19 nas farmácias de oficina explica que a DGS ainda terá de definir os critérios referentes à população que pode vacinar-se na farmácia. Na anterior época de gripe, podiam vacinar-se nas farmácias gratuitamente contra a gripe e covid-19 todas as pessoas com idades entre os 60 e os 84 anos de idade sem registo de reação adversa grave ou hipersensibilidade a qualquer das vacinas, assim como os profissionais de saúde das farmácias. A campanha de 2025-2026, contou com a participação de 2.500 farmácias.

O relatório hoje divulgado indica ainda que, antes do período de vacinação, foi feita uma campanha de sensibilização nos meios de comunicação social e junto dos grupos alvo num total de 4,3 milhões de SMS enviadas. Também os estabelecimentos de saúde do SNS enviaram aos utentes mensagens com o agendamento da vacina, num total de aproximadamente 2,7 milhões de SMS e a rede de farmácias comunitárias disponibilizou agendamento online para vacinação contra a gripe e covid-19 num total de cerca de 239 mil agendamentos.

Em novembro de 2025, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) enviaram mensagens a recordar as pessoas elegíveis que ainda não tinham realizado a sua vacinação sazonal, totalizando mais de dois milhões de SMS enviadas.

O subdiretor da Direção-Geral da Saúde (DGS) fez hoje um balanço “muito positivo” da última campanha de vacinação, mas manifestou preocupação com “a hesitação vacinal crescente” nos adultos, principalmente na vacina contra a covid-19.

“O balanço é muito positivo e a vacinação é uma história de sucesso inacabada. Sucesso, porque conseguimos manter coberturas de vacinação muito elevadas, acima dos 95% para o Programa Nacional de Vacinação, quando no mundo vemos um fenómeno crescente de hesitação vacinal”, realçou André Peralta dos Santos.

Do relatório de vacinação da campanha de 2025-26, André Peralta Santos admitiu “preocupação com a hesitação vacinal crescente no adulto e que se manifesta, principalmente, na vacina contra a covid-19”. “A vacina é segura, continuamos a ter a cada inverno, pessoas que ficam gravemente doentes com covid-19, mas efetivamente as coberturas vacinais têm vindo a ser decrescentes”, reconheceu.

Segundo o subdiretor da DGS, o vírus SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, “continua a circular no país, assim como o da gripe, e causa tanta doença como o vírus da gripe”. André Peralta Santos destacou ainda aos jornalistas os números da vacinação contra a gripe em crianças até aos dois anos e que começou no ano passado. “Já conseguimos atingir coberturas que nos colocam ao nível dos melhores países, cerca de metade das crianças até aos dois anos foram vacinadas contra a gripe”, disse.

Questionado sobre as campanhas existentes contra a vacinação, André Peralta Santos disse que a DGS “não nota esses fenómenos de hesitação vacinal na população pediátrica, nas crianças”. “Há alguns sinais muito ténues, muito focados em algumas regiões do país, nomeadamente no Algarve, Alentejo e grande Lisboa que acompanhamos com grande preocupação e reforçamos a confiança junto dos profissionais, nesse trabalho de proximidade”, vincou. Isto, porque, “é o médico de família, o enfermeiro, em quem os pais depositam mais confiança e com quem tiram as suas dúvidas, que são normais, mas que devem ser esclarecidas” junto desses profissionais de saúde, disse.

 

SO/LUSA

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