APARECE. Equipa multidisciplinar de apoio aos adolescentes está risco
Criado em 1999, sob diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), o APARECE apoia jovens dos 12 aos 24 anos da região de Lisboa. Apesar das mais-valias da sua intervenção, enfrenta um futuro incerto devido à falta de recursos humanos, sobretudo médicos.

01Durante quase três décadas, o APARECE – Saúde Jovem tem sido uma referência única na capital portuguesa no atendimento diferenciado a adolescentes. Inspirado nos indicadores de qualidade da OMS, este apoio diferenciado nasceu com uma missão clara: oferecer um espaço desburocratizado, multidisciplinar e acessível para todos os jovens entre os 12 e os 24 anos que residam, estudem ou trabalhem em Lisboa.
Contudo, a sua sustentabilidade ao longo do tempo pode estar em causa, como alerta a fundadora e única médica de família. “Sou a única MGF. Já fomos 13! É muito difícil gerir; quando tiro férias, não há médico “, desabafa Maria de São José Tavares.
Em declarações ao Jornal Médico de Família, a especialista explica que: “O APARECE não é apenas uma consulta de rotina, é uma resposta diferenciada, ágil e de proximidade que os cuidados de saúde primários (CSP) tradicionais, muitas vezes sob enorme pressão, não conseguem assegurar com a mesma disponibilidade.”
Na prática, o APARECE consegue dar uma resposta “global e integrada” a todos os problemas que o adolescente possa ter de enfrentar. “A adolescência é um percurso de consolidação de personalidade, onde todas as situações são possíveis”, explica a médica. Os motivos mais frequentes de consulta estão ligados à saúde mental: depressão, ansiedade, ideação suicida, violência familiar e escolar e comportamentos aditivos (ecrãs, tabaco e drogas). Acresce ainda a vigilância da saúde, sexualidade, identidade de género e apoio a casos de insucesso escolar.
A importância de se manter vivo o serviço é bem visível no apoio que se dá em casos de saúde mental, já que existem longas listas de espera para consultas de Psiquiatria da Infância e da Adolescência. “Enquanto não se consegue resposta do hospital, vamos acompanhando o jovem”, conta. E esse trabalho, com base na formação contínua e na experiência de longos anos da equipa, costuma ser reconhecido pelos pedopsiquiatras, segundo a médica.
A procura pelo APARECE é vasta e também reflete as mudanças sociológicas das últimas décadas. Mais de metade dos utentes são agora estrangeiros, incluindo imigrantes e refugiados de diversas origens (PALOP, Senegal, Gana, Ásia), o que exige da equipa uma enorme capacidade de adaptação cultural e sensibilidade. “Atualmente, temos 50% de portugueses e 50% de estrangeiros, havendo vários casos encaminhados pelas escolas.”
Maria de São José Tavares teme que, num futuro próximo, os adolescentes de Lisboa não venham a ter o acompanhamento da equipa e apela aos colegas de Medicina Geral e Familiar – sobretudo aos mais novos – para que não deixem esta instituição morrer.
Equipa:
Médica e coordenadora: Maria de São José Tavares
Médica: Carolina Ribau
Psicóloga: Elsa Mota
Enfermeira: Ângela Cruz
Administrativa: Tatiana Braz
Contatos:
Morada: Largo Professor Arnaldo Sampaio, 1549-010 Lisboa
Telefone: 217 211 883
Email: seterios.aparece@arslvt.min-saude.pt
Maria João Garcia
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