7 Jan, 2019

Urgência do Hospital de Beja sem obstetras encaminhou grávidas para Évora (a quase 100 kms)

Situação prolongou-se, pelo menos, durante 12 horas. Grávidas não tiveram nenhum tipo de acompanhamento. Carência de obstetras na urgência não é uma situação nova.

O serviço de urgência do Hospital de Beja, a unidade de saúde de referência de toda a região do Baixo Alentejo, esteve, este domingo, sem um único médico obstetra durante 12 horas, avança o Jornal de Notícias desta segunda-feira. Pelo menos duas mulheres, já na fase final da gravidez, foram obrigadas a deslocarem-se até Évora, a quase 100 quilómetros, sem qualquer assistência médica.

Na origem do problema, que se estendeu das 8 às 20 horas, esteve o facto de a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (onde se integra o Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja) não ter conseguido escalar um segundo médico especialista em Obstetrícia e Ginecologia, que ficaria responsável pela urgência. O outro especialista assegura o serviço de internamento do hospital, pelo que têm sempre de estar escalados dois obstetras em simultâneo.

Para além de não ter sido feitas as inscrições das duas mulheres que se deslocaram à urgências neste período, não foi feito sequer nenhum pré-atendimento de modo a verificar o estado de saúde das gestantes e dos bebés. Segundo avança o JN, apenas foi comunicado às grávidas que teriam de se deslocar, pelos seus próprios meios, à unidade hospitalar mais próxima (neste caso, o Hospital do Espírito Santo, em Évora, que, dependendo do percurso escolhido, fica a uma distância entre os 80 e os 100 quilómetros).

A administração da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo confirmou a situação, justificando a falta do especialista por
“imperativo familiar”. No entanto, a falta de um obstetra na urgências pode ter-se mantido para lá das 20 horas de domingo, uma vez que o médico que entrou para o turno da noite iria trabalhar no internamento e não na urgência.

Os problemas na urgência de obstetrícia não são novos. Há cerca de um ano 12 diretores de serviço do Hospital de Beja alertaram para o “risco iminente de colapso nas urgências de Pediatria e Obstetrícia” e para a “absoluta carência de médicos na unidade hospitalar”.

Saúde Online

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