18 Ago, 2025

Unilabs sem vagas para ecografias pelo SNS em seis distritos

A Unilabs admite dificuldades no acesso devido à falta de atualização dos preços convencionados há mais de 15 anos. Entidade Reguladora da Saúde alerta para práticas discriminatórias contra utentes do SNS.

Unilabs sem vagas para ecografias pelo SNS em seis distritos

Seis dos 14 distritos onde a Unilabs realiza ecografias mamárias e à tiroide não têm vagas disponíveis para marcação através do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A situação contrasta com a marcação como cliente particular ou segurado, em que há disponibilidade em vários pontos do país.

Questionada pela Lusa, a empresa reconheceu que existem “dificuldades no acesso em algumas zonas geográficas e tipos de exame”, justificando-as com a ausência de atualização dos preços convencionados há mais de 15 anos, o que, afirma, dificulta a contratação de especialistas.

De acordo com a pesquisa, as unidades que servem os distritos de Braga, Faro, Lisboa, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu não tinham agenda aberta para marcações pelo SNS. No Porto, só a ecografia mamária não está disponível por esta via, mas pode ser marcada em sete dias por via particular ou com seguro. Já as ecografias à tiroide apresentam uma espera de cerca de 20 dias e apenas estavam acessíveis na unidade de Marco de Canaveses.

Em Coimbra, Guarda e Santarém, estes exames não figuram sequer entre os disponíveis, independentemente do tipo de acesso. Em Aveiro, há uma diferença acentuada: 22 dias de espera pelo SNS contra oito dias para utentes com seguro.

Apesar de admitir dificuldades, a Unilabs afirma cumprir “de forma escrupulosa” os contratos com o Estado e diz estar “totalmente comprometida” com a prestação de serviços aos utentes, independentemente da origem da prescrição.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que fiscaliza este setor, sublinha que práticas que estabeleçam regras diferentes de agendamento configuram discriminação e violam a Lei de Bases da Saúde. Entre 2021 e julho de 2025, a ERS recebeu 158 reclamações relacionadas com discriminação ou rejeição de utentes do SNS, tendo já aplicado coimas que podem ir de mil a quase 45 mil euros.

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), responsável pelas convenções, não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

LUSA
Notícia relacionada
ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais