Unilabs sem vagas para ecografias pelo SNS em seis distritos
A Unilabs admite dificuldades no acesso devido à falta de atualização dos preços convencionados há mais de 15 anos. Entidade Reguladora da Saúde alerta para práticas discriminatórias contra utentes do SNS.

Seis dos 14 distritos onde a Unilabs realiza ecografias mamárias e à tiroide não têm vagas disponíveis para marcação através do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A situação contrasta com a marcação como cliente particular ou segurado, em que há disponibilidade em vários pontos do país.
Questionada pela Lusa, a empresa reconheceu que existem “dificuldades no acesso em algumas zonas geográficas e tipos de exame”, justificando-as com a ausência de atualização dos preços convencionados há mais de 15 anos, o que, afirma, dificulta a contratação de especialistas.
De acordo com a pesquisa, as unidades que servem os distritos de Braga, Faro, Lisboa, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu não tinham agenda aberta para marcações pelo SNS. No Porto, só a ecografia mamária não está disponível por esta via, mas pode ser marcada em sete dias por via particular ou com seguro. Já as ecografias à tiroide apresentam uma espera de cerca de 20 dias e apenas estavam acessíveis na unidade de Marco de Canaveses.
Em Coimbra, Guarda e Santarém, estes exames não figuram sequer entre os disponíveis, independentemente do tipo de acesso. Em Aveiro, há uma diferença acentuada: 22 dias de espera pelo SNS contra oito dias para utentes com seguro.
Apesar de admitir dificuldades, a Unilabs afirma cumprir “de forma escrupulosa” os contratos com o Estado e diz estar “totalmente comprometida” com a prestação de serviços aos utentes, independentemente da origem da prescrição.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que fiscaliza este setor, sublinha que práticas que estabeleçam regras diferentes de agendamento configuram discriminação e violam a Lei de Bases da Saúde. Entre 2021 e julho de 2025, a ERS recebeu 158 reclamações relacionadas com discriminação ou rejeição de utentes do SNS, tendo já aplicado coimas que podem ir de mil a quase 45 mil euros.
A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), responsável pelas convenções, não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
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