24 Set, 2019

Terapêuticas oncológicas já representam 30% da despesa total

Mais de um terço da despesa com fármacos é para tratamentos oncológicos. No primeiro trimestre de 2019 já se gastaram mais 32 milhões de euros.

A despesa com medicamentos que visam combater as patologias oncológicas aumentou 32 milhões de euros entre janeiro e julho deste ano, noticiou esta segunda-feira o Jornal de Notícias (JN).

De acordo com o relatório do Infarmed da monitorização mensal dos encargos com medicamentos em meio hospitalar, este valor representa já 30% da despesa total do Estado com fármacos do corrente ano.

Este acréscimo exponencial da despesa pública acontece numa altura em que a medicina e a tecnologia caminham de mãos juntas, lado a lado, contribuindo assim para mais investigações, desenvolvimentos de fármacos e, após a sua validação em testes, a aprovação de novas terapêuticas, especialmente na área oncológica. No entanto, no reverso da medalha esses medicamentos direcionados para determinadas doenças são extremamente dispendiosos para o Estado, como se pôde aliás verificar através do caso da bebé Matilde que tem uma doença rara – atrofia muscular espinhal – e cujo medicamento tem um custo de 1 milhão e 900 mil euros. Casos como este não são  tão raros quanto possa parecer.

Já na semana passada, o colégio de Oncologia Médica da Ordem dos Médicos acusou o Infarmed de dificultar o acesso a novos tratamentos oncológicos nas fases mais precoces de alguns cancros, como o cancro colorretal, cancro do pulmão, cancro do cólon, do estômago, da próstata e da mama.

Perante esta acusação, o Infarmed relembra, em declarações ao JN, as autorizações de utilização excecional aprovadas em 2018 – 1727 para medicamentos oncológicos e “apenas” 243 foram indeferidas. No que toca aos números deste ano foram aprovadas, até 31 de agosto, 859 foram aprovados e 130 recusados. Quanto a novas terapêuticas, a Autoridade Nacional do Medicamento já foram aprovados 19 para a oncologia, mais 12 face a 2018.

De referir que as estimativas apontam num cenário grave e que carece de atenção: são diagnosticados mais de 58 mil novos casos de cancro por ano, do qual resultam 29 mil óbitos; cerca de 25% da população até aos 75 anos de idade está na iminência de ter uma patologia oncológica, estimando-se que desses cerca de 10% venham a falecer.

EQ/SO

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