2 Jul, 2018

Técnicos de diagnóstico alertam para atrasos nos exames com passagem a 35 horas

Enquanto o Ministério não contratar mais técnicos é esperado um aumento das listas de espera e atrasos nas entregas de exames.

Aumento das listas de espera para exames e atrasos na entrega dos resultados é o cenário traçado pelos técnicos de diagnóstico e terapêutica para a aplicação, a partir de domingo, das 35 horas semanais de trabalho.

Enfermeiros, assistentes e técnicos vão regressar às 35 horas de trabalho semanais, em vez das 40 atuais, a partir de domingo, dia em que os técnicos de diagnóstico e terapêutica e os enfermeiros iniciam uma greve às horas extraordinárias por tempo indeterminado.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica, Luís Dupont, lamentou o facto de o Governo não ter feito atempadamente as contratações necessárias para ultrapassar o impacto desta medida nas instituições e antecipou as suas consequências.

“O que vai ficar em causa é provavelmente um aumento de listas de espera” para a realização de exames e um atraso na entrega de resultados, por exemplo das análises clínicas, mas nunca pondo em causa as “necessidades impreteríveis dos serviços de urgência”, disse o dirigente sindical.

A passagem dos trabalhadores para as 35 horas semanais, em vez das 40 atuais, sem ainda terem sido feitas novas contratações, irá agravar o “défice de trabalhadores” já existente e que leva a que, “todos os dias, todas as semanas, todos os meses, muitos profissionais, principalmente os que trabalham por turnos”, tenham de fazer “horas a mais, muitas delas não reembolsadas”, disse o sindicalista, advertindo que este “número vai aumentar”.

Contudo, contou Luís Dupont, os técnicos estão a informar as instituições de que não querem fazer mais horas do que as estipuladas no horário de trabalho, ao abrigo do pré-aviso de greve e da lei. “Isto é um alerta ao Ministério da Saúde da necessidade premente de recrutar mais profissionais de saúde”, salientou.

O ministro Adalberto Campos Fernandes anunciou, na semana passada, no parlamento, a contratação, numa primeira fase, de 2.000 profissionais em julho, um número que o sindicalista considera insuficiente para colmatar a questão das 35 horas.

“Não me parece que 2.000 trabalhadores distribuídos por não sei quantas instituições, principalmente hospitalares, consigam colmatar esta realidade”, disse, sustentando que há “centenas de hospitais que já estão a nível de recursos humanos em rutura”.

Contactada pela Lusa, a secretaria de Estado da Saúde afirmou que o “planeamento dos recursos humanos tem sido feito de forma regular e atempada”, nomeadamente neste processo de transição para as 35 horas. “Muito do esforço de contratação dos últimos dois anos e meio” visou criar condições para que os profissionais pudessem regressar às 35 horas. “Ainda assim, nesta primeira fase, está em execução um plano de reforço dos diferentes serviços”, adiantou numa resposta escrita.

Os profissionais serão distribuídos, por instituição e entidade, tendo em conta o número de trabalhadores que transitarão para as 35 horas semanais e também as medidas de reorganização que cada entidade está a preparar, tendo em conta vários indicadores, os diferentes contextos locais e regionais, a estrutura de recursos existentes, o perfil assistencial, os níveis de desempenho e as características específicas de cada instituição, explicou.

LUSA

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