10 Set, 2021

Taxa de letalidade maior em residentes de lares a Norte do que na população

O estudo do ISPUP verificou que a taxa de infeção foi também superior entre os residentes e os trabalhadores, comparativamente à população geral.

O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que, durante a primeira vaga da pandemia, a taxa de letalidade da covid-19 foi maior nos residentes de lares de idosos a Norte do que na população em geral.

Numa nota publicada no ‘site’ da Universidade do Porto, o ISPUP revela que o estudo, publicado na revista Journal of the American Geriatrics Society, procurou “avaliar a transmissão da infeção e a sua letalidade entre residentes e trabalhadores de lares da região Norte” do país.

O estudo incluiu dados sobre a idade, diagnóstico e prognostico de infeção pelo SARS-CoV-2 de 247 lares da região Norte referentes ao período entre abril e junho de 2020, totalizando 13.376 indivíduos, sendo que destes 7.642 eram residentes e 6.094 eram trabalhadores.

A média de idades dos residentes era de 85 anos e a dos trabalhadores de 46 anos. Durante o período em análise, 3,5% dos idosos residentes e 2,4% dos trabalhadores testaram positivo ao novo coronavírus.

No estudo, os investigadores concluíram que a taxa de letalidade da covid-19 foi “48% mais alta nos residentes destas instituições quando comparada com a população geral, tendo em conta a sua distribuição etária”.

“Um quinto dos idosos residentes infetados acabou por falecer de covid-19, enquanto entre os trabalhadores avaliados não foram observadas mortes”, salienta o instituto do Porto.

Além da taxa de letalidade ser superior nos residentes, o estudo verificou que a taxa de infeção foi também superior entre os residentes e os trabalhadores, comparativamente à população geral.

“Os residentes apresentavam um risco acrescido de infeção de 37% quando comparados com a população geral. Os trabalhadores apresentavam o dobro do risco de infeção”, refere.

Citada na nota, a investigadora Teresa Leão, primeira autora do estudo, afirma que a elevada mortalidade entre os residentes poderá prender-se com as “comorbilidades graves e variadas da população residente em lares, mas também pela gestão da infeção nestas estruturas numa fase inicial da pandemia”.

O ISPUP acrescenta ainda que o risco acrescido de infeção observado em algumas estruturas poderá estar relacionado com as “condições de vida e trabalho neste tipo de instituições, tipicamente de maior ocupação, e à falta de trabalhadores treinados para o controlo da infeção e equipamento adequando de proteção individual”.

A investigação, desenvolvida no âmbito da Unidade de Investigação em Epidemiologia (EPIUnit) do ISPUP, contou com a colaboração dos investigadores Milton Severo e Henrique Barros.

LUSA

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