12 Abr, 2018

Sociedade Portuguesa de Cardiologia reúne para delinear nova estratégia de atuação

Para a actual direção da SPC é "urgente uma mudança de direção no caminho que tem vindo a trilhar”, dando maior atenção às principais causas de morte cardiovascular, como a mortalidade por doenças do aparelho circulatório, a Insuficiência Cardíaca e Morte Súbita

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia, uma das mais prestigiadas associações de especialidade portuguesas decidiu definir uma nova estratégia para a sua ação, descontinuando o modelo que vinha até aqui a seguir.

Em comunicado, a SPC explica que a decisão agora tomada surge após a reunião destinada a decisores políticos que veio propor uma reflexão sobre os objetivos e prioridades na saúde cardiovascular dos portugueses, da qual resultou a convicção, para a actual direção da SPC “ser urgente uma mudança de direção no caminho que tem vindo a trilhar”, dando maior atenção às principais causas de morte cardiovascular, como a mortalidade por doenças do aparelho circulatório, a Insuficiência Cardíaca e Morte Súbita.

Com este objetivo a SPC organiza, no próximo dia 14 de abril, no Hotel Vila Galé Porto, a reunião Repensar a Estratégia da Sociedade Portuguesa de Cardiologia – decidir em conjunto, evento que tem como principal objetivo o debate sobre a mensagem desta sociedade, ajustando o discurso àquelas que são hoje reconhecidas como prioridades da Cardiologia nacional: a Insuficiência Cardíaca e a Morte Súbita, para que, num futuro muito próximo as doenças cardiovasculares deixem de ser a primeira causa de morte em Portugal!”, lê-se no comunicado enviado às redações.

Este é, na opinião do Presidente da SPC, Prof. João Morais, “um salto importante no sentido de chegar ao derradeiro desiderato desta sociedade, que é retirar as doenças cardiovasculares do topo das causas de morte em Portugal”, acrescentando que “embora essa meta possa estar ainda longe, devemos persegui-la!” Nas últimas décadas, temos assistido, por parte da SPC, a um discurso muito voltado para a doença das Artérias Coronárias, Enfarte do Miocárdio e Aterosclerose, pelo que as mensagens devem ser atualizadas. Assim, neste evento, reunirão profissionais de reconhecida competência, os quais trabalharão divididos em seis grupos, três dos quais dedicados à temática da Insuficiência Cardíaca, e três dedicados à Morte Súbita, procurando encontrar as grandes mensagens dirigidas à sociedade civil, aos decisores e aos profissionais de saúde.

Na nota à imprensa a SPC recorda os números alarmantes da patologia cardiovascular: cerca de 26 milhões de pessoas no mundo inteiro sofrem de insuficiência cardíaca e, em 2030, estima-se que este número tenha subido 25%. Portugal não é exceção e conta já com quase meio milhão de casos por todo o território. No futuro, é expectável que uma em cada cinco pessoas venha a desenvolver insuficiência cardíaca em algum momento da vida e a tendência é para que o número aumente. É por isso imperativo assumir que o tratamento desta doença é uma prioridade nacional. A insuficiência cardíaca, hoje quase omissa dos grandes planos de saúde, deve passar a constituir uma prioridade em Portugal, à qual os decisores deverão prestar particular atenção. A identificação adequada destes doentes e a sua orientação para centros com capacidade para os tratar, deve passar a constituir um desígnio nacional.

De igual modo, a prevenção da morte súbita é uma área de intervenção fulcral e cuja prevenção e tratamento adequado irá permitir importantes ganhos em saúde. A correta identificação de vítimas em paragem cardiorrespiratória e o acesso precoce à desfibrilhação é um desafio para todo o mundo civilizado, a que Portugal não é alheio. Trata-se de um direito de cidadania que importa desenvolver.

É imperativo que sejam implementadas políticas na área da saúde e que seja delineada uma estratégia que que possa garantir o direito do cidadão a cuidados de saúde de qualidade, com o objectivo de continuar a reduzir a mortalidade por doença cardiovascular em Portugal!

Espera-se, portanto, que desta reunião saia uma Cardiologia mais forte e mais unida em torno daquelas que são, hoje em dia, as maiores ameaças à saúde cardiovascular dos portugueses. Nas palavras do Prof. João Morais, “a Cardiologia portuguesa deve falar a uma só voz, mas compete à SPC liderar e procurar o caminho.”

Comunicado de imprensa/Miguel Mauritti

 

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