10 Fev, 2022

Sociedade Portuguesa de Cardiologia pede foco nos doentes crónicos e menos listas de espera

Além da necessidade de recuperação da atividade assistencial, o presidente da SPC reforçou a importância do investimento na promoção da literacia em Saúde.

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) defende uma estratégia combinada para recuperar a atividade assistencial, mas lembra que não há soluções perfeitas e que o importante é focar a atenção nos doentes crónicos e reduzir as listas de espera.

No âmbito do Fórum Equidade e Acessibilidade na era covid-19 – que a SPC organiza na sexta-feira (11 de fevereiro) no Centro Cultural de Belém, em Lisboa – o presidente da Sociedade, Lino Gonçalves, considerou que “tudo está em cima da mesa” e que a estratégia pode envolver a atividade adicional, o trabalho em horas extra, o recurso a acordos com privados, a contratação de mais pessoal e a telesaúde.

“Alguns centros nacionais já estavam a fazer [telemonitorização] em doentes cardiovasculares, mas a um nível muito baixo. Aprendemos agora, com este estímulo, que estas são tecnologias muito importantes, vão manter-se para o futuro, mas não são para todos os doentes”, afirmou.

“Também há situações cardiovasculares que não podem ser seguidas a distância”, acrescentou, sublinhando que cabe “aos profissionais de saúde identificar quem pode ser seguido à distância e quem tem de recorrer às unidades hospitalares”.

O responsável sublinhou igualmente a importância da promoção – de forma continuada – de campanhas de literacia em saúde cardiovascular: “A cada ano que passa entra uma nova geração de pessoas não literadas. [As campanhas] têm de ser feitas todos os anos, de uma forma persistente e resiliente, entre profissionais de saúde e nos meios de comunicação social”.

No encontro promovido pela SPC, diversos especialistas abordarão o impacto da pandemia no tratamento dos doentes com síndrome coronário agudo, a importância da literacia em saúde cardiovascular como ferramenta para o diagnóstico e tratamento atempado e as estratégias a seguir para recuperar as listas de espera no tratamento das doenças cardiovasculares na era pós-covid.

“É uma ocasião privilegiada para apontar caminhos. É preciso desenvolver estratégias. Pode-se tentar recuperar através de horas extra, mas os profissionais de saúde já estão esgotados. Pode ser pela produção adicional, contratando mais recursos humanos, com acordos com privados… tudo está em cima da mesa”, considerou o especialista, lembrando que “nunca vai existir uma solução perfeita”.

SO

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