9 Mar, 2018

Sintomas da menopausa podem estar ligados à má qualidade do sono

Num novo estudo que abrangeu cerca de 600 mulheres, entre os 44 e 56 anos, uma equipa da Coreia do Sul concluiu que existe uma relação entre os sintomas da menopausa e a má qualidade do sono.

Tal como a equipa de investigadores escreveu no seu estudo, divulgado na página PLOS, no dia 20 de fevereiro, “os distúrbios do sono são as queixas mais comuns durante a transição da menopausa e o pós-menopausa”.

Em declarações à agência Reuteurs, o Dr. Hyun-Young Park do National Research Insitute of Health, em Chungbuk, e um dos autores do estudo, afirmou que “a má qualidade do sono e a sua duração inadequada estão associadas a resultados negativos na saúde, como a obesidade, doenças cardiovasculares, mortalidade associada ao cancro, diabetes, depressão e má qualidade de vida”.

Já vários estudos mostraram que as mulheres na menopausa são as mais propensas a reportar distúrbios do sono, como escreve a equipa no seu artigo. Contudo, poucos estudos comprovam a relação entre esta fase da mulher e a má qualidade do sono, bem como identificar quais os fatores que influenciam os distúrbios do sono em mulheres na menopausa. Embora, as alterações hormonais possam influenciar esses problemas, os especialistas procuraram analisar todos os sintomas, incluindo os psicológicos.

Para tal, a equipa analisou dados do Kangbuk Samsung Health Study, um estudo de coorte da que incluiu pacientes que fizeram um exame de saúde, anual ou bienal, em clínicas do Hospital Kangbuk Samsung Total Healthcare Center, na Coreia do Sul. Para este estudo, foram elegíveis 634 mulheres, entre os 44 e 56 anos, examinadas entre 2012 e 2013.

Relativamente aos sintomas da menopausa, as participantes foram convidadas a preencher um questionário que avaliava os sintomas vasomotores, os psicossociais, os físicos e os sexuais. Para medir a qualidade do sono foi utilizado um outro questionário [Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI, na sigla inglesa)] que se focava em sete componentes: qualidade subjetiva do sono, latência do sono, duração, eficiência habitual do sono, distúrbios do sono, uso de medicação e disfunção diurna.

A equipa do Dr. Park também analisou este grupo com base na idade, no cálculo do índice de massa corporal (IMC), pressão arterial, tabagismo, nível de educação, remuneração, status do trabalho, sintomas depressivos, stress, estado civil e o estado da menopausa.

Como resultado, 19.2% das participantes relataram má qualidade sono, sendo um problema mais comum às mulheres na pós-menopausa (30.2%). As perturbações de sono também foram identificadas em mulheres com pressão arterial alta, elevados níveis de triglicerídeos, colesterol elevado, propensas a viverem sem um parceiro, a terem depressão e stress, ligeiramente mais velhas, não fumadoras e com menos educação.

No geral, os sintomas mais associados à má qualidade do sono são os vasomotores (calores e suores noturnos) e físicos da menopausa, não tendo sido encontrada nenhuma relação entre os fatores psicossociais e sexuais.

Na discussão do seu artigo, a equipa refere que “as causas do distúrbio do sono durante a menopausa não são claras, mas muito fatores podem estar envolvidos como os sintomas vasomotores, alteração dos níveis hormonais, distúrbios de humor, condições médicas coexistentes e fatores de estilo de vida”. Os autores referem ainda que outros estudos sugerem que a terapia hormonal resulta em melhorias no sono, e que tal pode-se explicar pelo facto do estrogénio estar envolvido na regulação do sono.

Os autores concluem o estudo realçando a necessidade de explorar estas novas descobertas, como forma de encontrar soluções para a melhorar a qualidade do sono das mulheres durante a menopausa.

SO/Mónica Silva

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