9 Nov, 2021

“Secretoma Tumoral”, a ferramenta que quer prever risco de metastização em doentes com cancro da mama

A investigadora Ana Sofia Ribeiro, do i3S, salienta a “grande falta de modelos/ferramentas experimentais para estudar o secretoma tumoral”.

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto vão desenvolver uma ferramenta “inovadora” para identificar biomarcadores que permitam prever precocemente o risco de desenvolvimento de metástases em doentes com cancro da mama.

Em comunicado, o instituto da Universidade do Porto revela que o projeto, intitulado “Secretoma Tumoral”, visa conseguir “prever precocemente o risco de desenvolvimento de metástases, para controlar melhor a doença e encontrar terapias personalizadas”.

Liderado pela investigadora Ana Sofia Ribeiro, o projeto conquistou o Prémio de Investigação Liga Inovação, promovido pelo Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro, em colaboração com a Bioportugal, no valor de cinco mil euros.

“Existe uma necessidade clínica urgente de prever o risco e o local de metastização em doentes oncológicos, visto que o desenvolvimento da doença metastática contribui substancialmente para uma maior taxa de mortalidade”, observa o i3S.

Nos últimos dois anos, os investigadores do grupo ‘Cancer Metastasis’ do i3S, tem-se debruçado na análise do secretoma (tudo o que é libertado pelas células para o sangue) das células tumorais para identificar, de forma precoce, “doentes com maior probabilidade de desenvolverem cancro de mama metastático”.

Citada no comunicado, a investigadora Ana Sofia Ribeiro salienta que foi verificada a existência de uma “grande falta de modelos/ferramentas experimentais para estudar o secretoma tumoral”, sendo o principal objetivo deste projeto o desenvolvimento de uma “plataforma de secretoma tumoral de doentes oncológicos”.

“Para isso vamos utilizar organoides de tumores da mama, criados a partir de amostras de doentes oncológicos, e criar uma ferramenta clínica inovadora para a gestão da doença metastática”, esclarece.

De acordo com a investigadora, os organoides tumorais permitem mimetizar as características do tumor e “representam um excelente modelo pré-clínico”, ainda que nunca tenha sido explorado o uso do secretoma tumoral.

“Até à data nunca foi explorado o uso do secretoma tumoral, obtido de a partir destes organoides tumorais, para identificar biomarcadores de prognóstico e preditivos da doença metastática. É precisamente isso que pretendemos desenvolver com este projeto”, refere, acrescentando que a abordagem constituirá um “recurso a longo prazo” para a investigação básica e clínica.

O intuito do projeto, resultado da cooperação entre o i3S e o IPO-Porto no âmbito do Porto Comprenhensive Cancer Center, é “abrir caminho” para a definição de terapêuticas dirigidas e com “maior potencial” de controlo clínico da doença.

LUSA

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