Reumatologia. “Inibidores da JAK podem vir a ser utilizados mais cedo na estratégia terapêutica”

Em entrevista, o reumatologista do Serviço de Reumatologia do CHULN e Professor Catedrático na FMUL destaca as mais valias destes fármacos, sublinhando, ainda assim, que a “comunidade médica ainda não conseguiu tirar um completo partido” dos inibidores da JAK.

Quais as principais mensagens que saíram da primeira sessão do ciclo de webinars “KOL Interchange Meeting”?

Assistimos a apresentações sucessivas de uma das principais personalidades da área da reumatologia [Prof. Doutor Peter Taylor, professor de Ciências Musculoesqueléticas do Centro de Pesquisa Botnar, na University of Oxford], no que diz respeito ao desenvolvimento de medicamentos que inibem a sinalização intracelular, nomeadamente os inibidores da JAK.

Resumimos de forma interessante esta classe de medicamentos, a sua segurança, os efeitos positivos sobre o doente – que vão para além do controlo da atividade inflamatória, impactando a qualidade de vida e a forma de percecionar o dia a dia. Os inibidores da JAK são fármacos eficazes, seguros, passíveis de ser utilizados durante muitos anos.

Atualmente, qual é o grau de utilização destes fármacos em Portugal, na área da reumatologia?

Estão a ser usados após os doentes não terem respondido adequadamente aos medicamentos biológicos. Os inibidores do JAK têm uma vantagem em relação à maior parte dos biológicos, que é o facto de não precisaram de outro medicamento como ‘muleta’, o metotrexato. Alguns dos doentes que não conseguiam tomar o metotrexato, têm beneficiado destes novos fármacos em monoterapia.

No futuro, é possível que, com a redução de custos e com um melhor conhecimento destes fármacos, os inibidores da JAK possam vir a ser utilizados mais cedo na estratégia terapêutica. Têm várias mais valias, nomeadamente o facto de serem de administração oral; o facto de terem uma curta ação (produzindo efeitos nos dias seguintes, permitindo retirar o medicamento quando se registar algum efeito adverso); o facto de o corpo não reagir ao medicamento (não causam imunogenecidade), o que perspetiva maior capacidade de manutenção da eficácia a muito longo prazo.

O custo ainda é um entrave à utilização destes fármacos?

O custo não é assim tão alto, é até inferior ao de alguns biológicos.

Que particularidades tem o baricitinib que o distinga dos outros fármacos da mesma classe?

O que o distingue é ter duas doses possíveis e aprovadas, o que permite utilizar este fármaco, numa dose mais baixa e igualmente eficaz, em indivíduos mais sensíveis a infeções, idosos.

Também é diferenciador o facto de a sua eficácia e segurança estar bem consubstanciado. Isso influencia a forma como os médicos atuam, colocando-os mais à vontade para o utilizar.

Qual diria que é o maior desafio na área da Artrite Reumatoide nos próximos anos?

Diria que o grande desafio, a longo prazo, é o desenvolvimento de um medicamento que faça uma diferença absoluta em relação a todos os outros. A verdade é que ainda não conseguimos produzir fármacos que conseguissem ultrapassar significativamente a eficácia dos biológicos.

Para os próximos cinco anos, o desafio principal é tentar posicionar – da melhor forma possível para o doente – a utilização dos inibidores da JAK. Temos de saber gerir adequadamente a utilização destes fármacos, porque penso que a comunidade médica ainda não conseguiu tirar um completo partido destes fármacos. É possível que dentro de cinco anos, alguns doentes com artrite reumatoide comecem um inibidor da JAK como primeira linha terapêutica.

TC/SO

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