8 Jul, 2026

Maioria dos utentes com alta clínica internados nos hospitais aguarda resposta social

O Governo afirmou que a maior parte dos cerca de 3.500 utentes internados nos hospitais com alta clínica não aguarda vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados, mas sim em lares ou serviços de apoio domiciliário, defendendo uma resposta articulada entre Saúde e Segurança Social.

Maioria dos utentes com alta clínica internados nos hospitais aguarda resposta social

O secretário de Estado da Gestão da Saúde afirmou que a maioria dos utentes que permaneciam internados nos hospitais após receberem alta clínica aguardava uma resposta social, como uma vaga em lar ou apoio domiciliário, e não um lugar na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).

Em audição na Comissão de Saúde, Francisco Catalão explicou que, a 31 de maio, estavam identificados cerca de 3.500 utentes internados nos hospitais com alta clínica, defendendo que este número deve ser analisado em detalhe.

Segundo o governante, 38% destes utentes aguardavam vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Acrescentou que uma parte significativa esperava colocação em estruturas residenciais para pessoas idosas ou acesso a serviços de apoio domiciliário, enquanto 513 utentes enfrentavam bloqueios jurídicos relacionados com o regime do maior acompanhado.

Para Francisco Catalão, esta realidade demonstra que o problema dos chamados internamentos sociais não constitui uma crise exclusivamente hospitalar nem apenas do setor da saúde.

O secretário de Estado defendeu que o envelhecimento da população exige uma resposta integrada entre os ministérios da Saúde e da Segurança Social.

Durante a audição, o governante referiu ainda que, a 31 de maio, a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados dispunha de 10.041 lugares, assegurando que a sua capacidade não diminuiu durante o atual Governo.

Segundo Francisco Catalão, a rede conta atualmente com mais 424 lugares do que no final de 2023.

O responsável garantiu ainda que continuará empenhado na resolução deste problema, afirmando que não ficará satisfeito enquanto existir um português nesta situação.

Os dados mais recentes do Barómetro dos Internamentos Sociais, divulgados em abril, indicavam que, em março, 2.807 pessoas permaneciam internadas nos hospitais públicos após terem recebido alta clínica, um aumento de 19% face ao mesmo mês de 2025.

Nessa altura, estes casos representavam 13,9% das camas ocupadas no Serviço Nacional de Saúde. Segundo os números hoje apresentados pelo Governo, a situação agravou-se entretanto, tendo o número de utentes nesta condição aumentado para cerca de 3.500 em maio.

 

LUSA/SO

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