Quarenta organizações entregam ao Governo proposta de Estatuto do Cuidador Informal

Plataforma Saúde em Diálogo propõe que o Governo atribua apoios sociais e formação aos cuidadores informais

A Plataforma Saúde em Diálogo entregou ao Ministério da Saúde uma proposta de Estatuto do Cuidador Informal, que visa assegurar “um conjunto de direitos e garantias” para quem cuida voluntariamente de uma criança, jovem ou adulto dependente.

A proposta, a que a Lusa teve hoje acesso, define “políticas inovadoras” de apoio às famílias, às redes de vizinhança e a outras redes sociais de suporte, incentivando o cuidado de pessoas nas suas casas, com vista à melhoria da qualidade de vida da pessoa com dependência e do seu cuidador informal

“É um trabalho que foi feito de uma forma muito cuidada”, que abrange “uma série de aspetos” e define as funções, os direitos e os deveres dos cuidadores informais, disse à agência Lusa a presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, que reúne 40 organizações de saúde.

Entre as medidas propostas, adiantou Rosário Zincke, estão a “informação e formação do cuidador informal” e apoios sociais para os que despendem “uma carga horária significativa na prestação de cuidados”.

A plataforma propõe também que o cuidador informal seja avaliado pela pessoa a quem presta cuidados, sempre que seja possível, e pelo organismo do Estado que tutele a rede de cuidadores informais que a plataforma preconiza.

“O cuidador pode ter muito boa vontade, pode ser uma pessoa dedicada, mas precisa adquirir determinados conhecimentos e ferramentas, daí que se fale na informação e na formação”, explicou Rosário Zincke.

Por outro lado, “o ato de cuidar é sempre algo desgastante” sendo por isso “muito importante” avaliar se o cuidador está em condições de prestar cuidados ou “se não é ele próprio a precisar de cuidados, nomeadamente de apoio psicológico ou de soluções de alívio”.

O cuidador deve ter direito a uma “baixa médica prolongada” para assistência ao doente sinalizado pelas redes de cuidados continuados integrados e de cuidados paliativos.

A Assembleia da República discute na sexta-feira um projeto de resolução do CDS-PP que recomenda ao Governo a criação do Estatuto do Cuidador Informal até junho.

“Mesmo que se estejam a preconizar medidas que custem dinheiro parece-nos urgente e imprescindível que se reconheça o estatuto do cuidador informal porque eles são uma peça chave na rede e no percurso de cuidados”, defendeu.

Rosário Zincke lembrou que “o peso dos cuidados informais é muito grande”, assim como “é muito grande” o número de cuidadores informais que “abdica da sua própria vida” para tomar conta de alguém.

LUSA/SO

 

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