4 Dez, 2025

Projeto da ULS Lisboa Ocidental já deu consultas a 200 pessoas sem-abrigo

O primeiro projeto dos Cuidados de Saúde Primários da ULS Lisboa Ocidental dedicado a pessoas sem-abrigo já acompanhou cerca de 200 utentes desde julho de 2024. A iniciativa, que decorre em Alcântara, remove barreiras de acesso ao SNS e envolve apoio de várias organizações.

Projeto da ULS Lisboa Ocidental já deu consultas a 200 pessoas sem-abrigo

Cerca de 200 pessoas em situação de sem-abrigo já tiveram acesso a consultas no âmbito do primeiro projeto direcionado especificamente para esta população nos Cuidados de Saúde Primários da ULS Lisboa Ocidental, foi divulgado.

Segundo o diretor clínico para a área dos cuidados de saúde primários da unidade, Nuno Basílio, o projeto vai muito além da realização da consulta. “Não se resume apenas a fazer uma consulta ou um tratamento, mas garantir que a pessoa tem capacidade de pegar numa receita e conseguir executá-la no seu dia-a-dia”, afirmou, durante a visita da ministra da Saúde, Ana Paula Martins.

Lançado em julho de 2024, o projeto “Saúde para Todos” assegura que pessoas em situação de sem-abrigo — muitas vezes sem cartão de cidadão ou confrontadas com outras barreiras no acesso à saúde — tenham acompanhamento médico regular. As consultas decorrem todas as quartas-feiras, na Unidade de Saúde de Alcântara, em Lisboa.

A iniciativa conta com o apoio de pelo menos 10 organizações que intervêm junto de grupos vulneráveis. Para Nuno Basílio, o projeto demonstra que é necessário ir além da simples atribuição de médico de família, olhando também para os determinantes sociais e para os obstáculos específicos vividos por estas populações.

A ministra da Saúde classificou o projeto como “extraordinário”, destacando que permite o acesso a cuidados preventivos e curativos, contribuindo para a integração social destas pessoas. Ana Paula Martins defendeu ainda que iniciativas deste tipo devem ser replicadas no país, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, reforçando que o SNS deve chegar às populações mais vulneráveis, que muitas vezes desconhecem o funcionamento do sistema ou não têm médico de família.

De acordo com a ULS Lisboa Ocidental, as pessoas em situação de sem-abrigo apresentam um risco de mortalidade entre duas a cinco vezes superior ao da população geral, bem como maior prevalência de dependências, doenças infeciosas, doença coronária e perturbações mentais.

No final do ano passado, Lisboa contabilizava 3.122 pessoas em situação de sem-abrigo, segundo dados do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA).

LUSA/SO

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