17 Ago, 2021

Profissionais de saúde do Centro Hospitalar do Algarve arriscam ter férias adiadas

A medida é justificada pelo habitual aumento da população sazonal na região e pela disseminação da infeção por SARS-CoV-2.

Os profissionais de saúde do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) podem ter as férias adiadas, caso seja necessário completar escalas na segunda quinzena de agosto. Os sindicatos contestam a medida.

De acordo com a administração do CHUA, “não há suspensão das férias”, mas foi delegada nos diretores de serviço a “possibilidade de chamar quem já tenha gozado o período mais longo de férias e durante o período necessário para completar as escalas de serviço”. “Se tiverem o segundo período de férias marcado para esse período vamos postecipar as férias para mais tarde”, revelou o vogal do conselho de administração (CA), Paulo Neves.

De acordo com este responsável, a decisão é fundamentada pelo habitual aumento da população no verão, acrescida da “pressão da covid” e engloba “médicos, enfermeiros, técnicos superior de diagnóstico, assistentes operacionais e técnicos”. Segundo acrescenta, poderá acontecer que vários serviços “precisem de ser robustecidos para garantir a resposta em todos os hospitais”, já que tem havido dias com “300 pessoas nas urgências de Faro”.

Neste sentido, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) já reagiu a esta decisão, lamentando o que apelida de “falta de planeamento”. Segundo explicam, similarmente ao ano passado, o facto de os médicos poderem ver as suas férias suspensas prejudica a família e impede “o repouso essencial para a toma de decisões corretas”.

Com esta medida, o SIM considera que estão a ser criadas condições para ser “ainda menos atrativo trabalhar” no CHUA. Segundo criticam, em vez de se criarem “condições de atratibilidade” e “contratar médicos”, o CA utiliza a política “do chicote e da prepotência”.

Também o Sindicato dos Enfermeiros Português (SEP) reagiu em nota de imprensa, classificando a medida como “inaceitável” e apontando que os profissionais “estão há ano e meio a trabalhar para dar resposta à pandemia, com reduzidas folgas, muitas horas extraordinárias e poucas férias”.

Para o SEP, a situação seria resolvida com a “contratação de mais enfermeiros e a consolidação de todos os que já estão precários”, em vez de “uma proposta ignóbil e incompreensível com base em algo que já se conhecia quando foram programadas as férias”.

SO/LUSA

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