5 Abr, 2021

Probióticos abrem possibilidades de tratamento para “dores de barriga” nas crianças

Em 25% dos casos é a dor abdominal que levam os pais a procurar um médico, mas nem sempre são motivo de alarme. Descubra quais podem ser os sinais e como é que os probióticos podem ajudar no tratamento.

A prevalência da dor abdominal funcional em idade pediátrica tem um peso significativo nas consultas de gastroenterologia pediátrica e nas consultas de pediatria em geral, mas os probióticos podem ajudar no tratamento. Em 25% dos casos é a dor abdominal que levam os pais a procurar um médico, mas nem sempre são motivo de alarme.

Segundo a gastroenterologista pediátrica Rosa Lima, muitas vezes, o tratamento passa por gerir a ansiedade dos pais e da criança e também atuar ao nível da microbiota intestinal.

“Geralmente na dor abdominal funcional não precisamos de ser invasivos em termos de exames médicos, até porque podemos estar a preocupar os pais e a criança, o que pode perpetuar ainda mais o quadro. A dor abdominal funcional está relacionada com alterações do eixo intestino-cérebro do qual participa a microbiota intestinal”, afirma a especialista.

A especialista explica que no nosso intestino existem triliões de microrganismos, a que se dá o nome de microbiota intestinal e onde bactérias benéficas e nocivas competem entre si. Os desequilíbrios neste ecossistema podem provocar doenças. “Se nós conseguirmos modelar a microbiota intestinal, por exemplo com probióticos, podemos controlar a doença”, sublinha. Acrescenta ainda que o tratamento, para ser bem-sucedido, deve também ter em conta a dimensão biopsicossocial da criança.

Acrescenta, no entanto, que “há um conjunto de sinais aos quais devemos estar atentos no sentido de perceber se estamos perante um quadro funcional ou de doença orgânica”. Explica que a dor funcional se localiza, geralmente, na região à volta do umbigo, enquanto outros quadros de dor podem estar noutras localizações e obrigam a considerar outros diagnósticos.

“Entre os sintomas que devem levar a uma consulta no médico estão os vómitos persistentes (por vezes acompanhados de sangue), dor perianal, perda de peso e febre. “Se com a dor abdominal existem também estes sintomas, estes têm de ser investigados de forma mais exaustiva por um médico”, salienta.

Existem fatores que podem interferir com a dor e com a forma como a criança a perceciona a alimentação, tais como a ansiedade, o uso excessivo de antibióticos (desequilibram a microbiota, causam diarreia), o divórcio parental ou o bullying.

Quanto aos probióticos – organismos vivos que quando administrados na dose adequada conferem benefícios à saúde do hospedeiro – refere que os Lactobacillus reuteri, os Bifidobacterium infantis e o Lactobacillus rhamnosus demonstraram, em diversos estudos, eficácia na redução do risco e no tratamento de distúrbios de dor funcional em pediatria.

“Tendo em conta que existe uma relação entre a microbiota intestinal e os distúrbios gastrointestinais funcionais na criança, o uso de probióticos abre possibilidades terapêuticas e preventivas interessantes”, remata a médica.

 

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