Presidente do Santa Maria lembra que Ortopedia é uma preocupação desde 2024
Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da ULS Santa Maria, diz que estão a ser feitos todos os esforços para se ter mais médicos na Ortopedia.

“A Ortopedia do Hospital Santa Maria não é uma preocupação de agora. É uma preocupação que temos desde o ano passado, sobretudo quando saíram seis médicos especialistas”, disse aos jornalistas Carlos Martins, presidente da ULS Santa Maria. As declarações surgiram após reunir-se com o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Carlos Cortes, na unidade hospitalar, em Lisboa.
De acordo com o presidente da ULS Santa Maria, o ainda diretor, que iniciou funções em janeiro, tem feito “um grande esforço” com os médicos “para reorganizar o serviço”. “Não encontrámos as soluções que pretendíamos, designadamente atrairmos novos médicos. Só conseguimos um. Vamos assinar agora mais três contratos (…)”, indicou, lembrando que, no primeiro semestre, o hospital atraiu o “limite mínimo” de oito clínicos necessários.
O responsável adiantou que, mais do que a falta de capital humano, está em curso uma reorganização do serviço. “Foi isso que foi tratado com o diretor de serviço quando apresentou a carta de demissão. Não se demitiu, apresentou a carta de demissão, a dizer que não tem condições, o plano que tinha não está a resultar. Em contrapartida a essa posição, apresentamos seis medidas que pedimos ao diretor de serviço para analisar”, realçou.
Entre as medidas, Carlos Martins destacou a necessidade de se conseguir “alguma descompressão” para se retomar a atividade normal, alargar a produção adicional para recuperar a lista de espera e atuar sobre a necessidade de se captar mais médicos. “O diretor da Ortopedia apresentou a sua admissão, mas manifestou de imediato a sua disponibilidade para continuar [no cargo], enquanto não for substituído, ou para recuar, (…) se as condições se alterassem”, acrescentou.
O bastonário da OM disse que o motivo principal da demissão do diretor do Serviço de Ortopedia tem a ver com a “falta de recursos médicos para assegurar o serviço de urgência e a atividade normal”. Carlos Cortes recordou, hoje, a incapacidade de todas as ULS em conseguir captar especialistas. “Enquanto o SNS não for atrativo e não existirem condições adequadas de condições de trabalho, de formação, de valorização da carreira médica, condições remuneratórias, esta situação vai agravar-se cada vez mais”, afirmou.
O bastonário acrescentou que o serviço de Ortopedia da ULS Santa Maria “deveria ter mais oito médicos especialistas para poder dar uma resposta adequada”, considerando como “uma situação muito grave” o que está a acontecer. “O Hospital Santa Maria é um grande hospital que tem que ter uma capacidade de resposta máxima em todas as áreas, nomeadamente áreas diferenciadas e na resposta de urgência”, ressalvou.
SO/LUSA
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