18 Jan, 2022

“Precisamos de estar atentos à capacidade de resposta à doença aguda grave” nas crianças

A presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Inês Azevedo, defende que, embora a covid-19 não esteja a ter acentuada expressão nas faixas etárias infantis, existem outras infeções respiratórias, como as provocadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que estão a preocupar os pediatras.

Após os cuidados de saúde terem sido vocacionados para, durante a época de 2020/21, dar resposta à pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, a presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Inês Azevedo, alerta para a necessidade de este outono-inverno ser dada especial atenção às crianças com doença aguda grave.

A vacinação covid-19 e o impacto da pandemia nas crianças foram duas grandes temáticas incontornáveis no 21.º Congresso Nacional de Pediatria, que decorreu no final de outubro, em Braga.

“Os temas em destaque abrangeram, obviamente, a infeção pelo vírus o SARS-CoV-2, mas deu-se atenção a outras infeções respiratórias, que neste ano têm sido responsáveis por um enorme requisito dos recursos hospitalares”, referiu, em jeito de balanço, a presidente da SPP, Inês Azevedo.

Ao longo de três dias de conferências, que marcaram o regresso da reunião magna dos pediatras ao formato presencial, vários especialistas fizeram uma atualização da miríade de áreas que constituem a Pediatria.

Para Inês Azevedo, o impacto da pandemia nas crianças é “um tema de grande preocupação, pois temos esta população em risco por não poder frequentar a escola devido aos confinamentos, que acreditamos que possam já não estar a ser justificáveis nesta fase. Esta é uma área de debate aceso, pois sendo a covid-19 uma doença benigna nas crianças, é importante discutir temas como a educação que foi fortemente afetada”, bem como o impacto social e as situações de pobreza decorrentes do atual contexto pandémico.

No plano das infeções respiratórias não-covid, “o vírus sincicial respiratório, que tem picos habituais em dezembro e janeiro, este ano começou a ter extraordinariamente os primeiros casos em maio/junho. Já começámos a observar pneumonias e outro tipo de infeções que estão já a causar perturbações a nível hospitalar e de internamentos por dificuldade de número de camas disponíveis”, acrescentou Inês Azevedo.

Para a especialista, é ainda importante avaliar a qualidade dos cuidados de saúde, “de modo a perceber se os cuidados que estamos a prestar são de qualidade e onde podemos melhorar”.

Segundo a presidente da SPP, “saímos deste congresso com a satisfação de sabermos que continuamos a ser o país com a melhor taxa de cobertura vacinal na Europa, sendo este um motivo de orgulho para os nossos cuidados de saúde, […], mas em contrapartida levamos outras preocupações relativas a indicadores de saúde mais finos e nos quais temos de trabalhar mais aprofundadamente, nomeadamente a criança com doença crónica, que necessita de cuidados muito especializados, e a criança com doença muito grave, que precisa de admissão em cuidados intensivos”.

Áreas de especialidade como a Nefrologia, a Infecciologia e a Neonatologia, ou discussões sobre temas ambientais, nomeadamente medidas importantes para proteger o planeta e criar um meio ambiente saudável no futuro, foram ainda cobertas em sessões plenárias do evento.

SO

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