Politécnico de Leiria em projeto europeu sobre regeneração da cartilagem

O Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentável do Produto (CDRSP), do Instituto Politécnico de Leiria, é um dos parceiros de um consórcio da União Europeia, num projeto sobre regeneração da cartilagem

Integrado no projeto HydroZONES, um dos maiores projetos europeus na área da engenharia de tecidos, o CDRSP contribuiu, através de impressoras, para o desenvolvimento de substitutos inteligentes de cartilagem, que imitam a complexidade do tecido natural com base na compreensão da distribuição zonal da cartilagem natural.

Um dos investigadores, Pedro Morouço, explicou à agência Lusa que, por vezes, as cartilagens têm determinado defeito. Como têm diferentes espessuras e especificidades de pessoa para pessoa, “tenta-se compreender a cartilagem daquela pessoa para conseguir mimetizá-la na impressora”.

“Essa mimetização leva um polímero, que é uma estrutura para dar suporte. Depois, fazemos diferentes camadas, com diferentes hidrogéis, que têm a capacidade de levar diferentes tipos de células. A ideia é tentar mimetizar a cartilagem daquela pessoa para depois voltar a implantar”, acrescentou Pedro Morouço.

Este projeto surgiu em 2013, no âmbito de um consórcio de várias instituições europeias, que “tiveram a ideia de avançar com um projeto que pretendia mimetizar a cartilagem humana e as suas diferentes camadas que têm de ser distintas a nível do biomaterial”.

“Precisavam para isso de uma impressora costumizada, que conseguissem fazer essa mimetização da cartilagem, uma vez que ela é muito complexa. A ideia era tentar perceber se se conseguia desenvolver um sistema que conseguisse imprimir um polímero e vários hidrogéis no mesmo ‘scaffold’ [estrutura que permite vários encaixes]”, explicou o investigador.

Quatro anos depois, essa mimetização já foi realizada em ratos e porcos pequeninos. “Fomos selecionando os resultados mais satisfatórios até chegarmos agora aos cavalos. Três impressoras do CDRSP estão agora em duas instituições europeias do consórcio, e uma na Austrália”.

Pedro Morouço adiantou que a intervenção em humanos ainda não é possível. “Teríamos de falar em ensaios clínicos e todas as regras que daí advêm. Estamos numa série de projetos a nível de regeneração e este é muito promissor para chegar a um ensaio pré-clínico”.

Por acreditar no futuro deste projeto, que teve um investimento de 13,2 milhões de euros e um financiamento de 9,7 milhões de euros, a auditora da Comissão Europeia “disse que poderia haver um Hydrozone 2.0” e aí “estariam reunidas todas as condições para entrar num ensaio pré-clínico”.

Pedro Morouço salientou que, segundo os últimos dados, os problemas de cartilagem afetam cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo e estão fortemente associados à obesidade. “Como estamos numa sociedade mais obesa e mais envelhecida, temos todos os fatores a favor para aumentarem o número de problemas crónicos de osteoartrose”.

Por isso, o investigador submeteu, em janeiro, outro projeto no âmbito do H2020 na área da regeneração dos tecidos. “Há fatores de prevenção que podem ser trabalhados e o projeto, a que chamei ‘4D bioprinting’, tem como objetivo chegar à bioimpressão 4D. Conto com um consórcio de dez instituições europeias, mais seis parceiros, em que pretendemos desenvolver desde os biomateriais às máquinas/equipamentos, aos testes in vitro e in vivo para diferentes tipos de tecido”, revelou.

Neste projeto, Pedro Morouço propôs que fosse o IPLeiria a liderar a candidatura, cujo resultado só será conhecido no verão.

O investigador foi também desafiado recentemente por uma médica italiana para um projeto de regeneração do osso em 4D. A neuropediatra pretende um tipo de implante que tenha “capacidade de resposta a estímulos e que permita crescer ao mesmo tempo”.

“O desafio é colocar essa plasticidade na ‘scaffold’, permitindo que tenha a capacidade de crescer com o crescimento do crânio da criança e ao mesmo tempo não perca a robustez. A ideia é avançar ao nível dos biocerâmicos na própria ‘scaffold’, com uma que já tenha condutividade elétrica. Se conseguir ter o biocerâmico e ter a propriedade elétrica consigo dar-lhe estímulo para ela ter capacidade plástica de expansão”, informou.

 

LUSA/SO/SF

 

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