3 Abr, 2018

Perturbação Bipolar afeta 200 mil portugueses [com infografia]

O acompanhamento psicoterapêutico e a medicação são ambos partes cruciais do tratamento da bipolaridade, assim como toda a ajuda e afeto. A doença, que afeta mais de 200 mil portugueses, ainda é sinónimo de estigma social e desconhecimento.

O Dia Mundial da Perturbação Bipolar, que se assinalou na passada sexta-feira, dia 30 de março, tem como objetivo máximo consciencializar o público e combater o estigma que envolve esta doença numa tentativa clara de encorajar as pessoas a procurar a ajuda que necessitam. O acompanhamento psicoterapêutico e a medicação são ambos partes cruciais do tratamento da bipolaridade, assim como toda a ajuda, afeto e encorajamento que quem vive com esta doença possa receber.

As organizações que contribuem para a promoção deste dia escolheram a data por se tratar do aniversário de Vincent van Gogh, pintor holandês que foi postumamente diagnosticado como possível portador do transtorno bipolar.

Em Portugal, aproximadamente duzentas mil pessoas caem algures no espectro da bipolaridade, o que representa pouco menos de 2% da população. Ainda assim, e apesar do aparecimento de redes sociais, websites informativos e blogs, é notório o estigma social e a falta de conhecimento da grande maioria do público em relação aos sintomas da perturbação bipolar.

 

 

De facto, esta falta de consciêncialização da doença não é recente, e há muito que afeta aqueles que vivem com a perturbação bipolar. Nas sociedades contemporâneas, tende a haver algum preconceito para com quem vive com doenças psiquiátricas, e isso leva a que frequentemente estes se refusem a procurar ajuda e tratamento por sentirem vergonha do seu diagnóstico.

Uma das questões de fundo da perturbação bipolar é o risco de suicídio quando a doença não é tratada adequadamente – que, de acordo com estatísticas, se torna 20 vezes mais provável de acontecer. A bipolaridade caracteriza-se por alterações profundas de humor, que podem variar entre episódios de depressão – que incluem sensações de desespero e tristeza – e episódios de “mania”, que levam a pessoa a um estado eufórico, acelerado ou até irritável. Uma vez que estas são caraterísticas presentes noutras condições, o diagnóstico da bipolaridade torna-se mais difícil de ser realizado – e, de facto, um paciente pode demorar até 10 anos e meio a ser diagnosticado como portador de bipolaridade.

A origem da doença ainda não foi completamente determinada pelos investigadores. Têm-se fatores genéticos e biológicos como determinantes do aparecimento e desenvolvimento da bipolaridade, mas também há suspeitas quanto ao estilo de vida, personalidade e certos acontecimentos na vida de alguém que possam ter a sua influência.

Assim sendo, é extremamente importante que a sociedade entenda a importância de conhecer melhor esta condição e eliminarmos o estigma que a rodeia.

Como foi dito inicialmente, o tratamento da bipolaridade é feito por especialistas psiquiatras ou psicólogos. Ainda assim, o controlo e tratamento da mesma também inclui comprimidos que, por se tratar de uma doença crónica, podem vir a ser tomados durante muitos anos, senão mesmo para a vida toda. As medicações mais frequentes incluem estabilizadores de humor e antidepressivos para aqueles que vivem com bipolaridade – porém, estes só funcionam quando as doses são tomadas corretamente.

Vasco Cruz
Community Manager da Smartpatient para Portugal e Brasil em Munique

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