7 Fev, 2022

Parkinson. Cirurgia pioneira realizada no Hospital de São João

Técnica inovadora implica um menor tempo de recuperação pós-cirurgia e poderá chegar a mais doentes.

Um novo procedimento cirúrgico usado no tratamento da doença de Parkinson vai ser realizado pela primeira vez no Hospital de São João, no Porto. A taxa de sucesso é semelhante à intervenção promovida anteriormente, na qual os doentes tinham de ficar acordado várias horas durante a cirurgia, avança o Expresso.

A única solução cirúrgica encontrada para o Parkinson é utilizada em Portugal desde há cerca de 20 anos. Esta implica que os doentes estejam mais de quatro horas acordados – para realizarem certas ações e movimentos -, enquanto os cirurgiões procuram encontrar a posição ideal para colocar os elétrodos que estimulam o cérebro.

No entanto, através de uma longa investigação, o cirurgião holandês Rick Schuurman confirmou o sucesso de outro método dirigido realizado com anestesia geral, o qual pode ser realizado durante menos horas e impõe uma curta recuperação após a cirurgia.

 “É pesado enfrentar uma cirurgia em que [os doentes] estão acordados. Não é propriamente doloroso, mas é muito cansativo e incute-lhes muito medo”, descreve Rick Schuurman. Com o paciente a dormir, “conseguimos estar mais focados nas tarefas cirúrgicas, enquanto, com o doente acordado, dividimos a nossa atenção entre essas tarefas e o estado do paciente”, explica.

O especialista, que já opera há seis anos doentes sob anestesia geral, admite que este tipo de procedimento permite a estimulação cerebral profunda através dos avanços tecnológicos capazes de captar “fotografias do cérebro” nítidas, o que permite ao clínico “apontar com exatidão onde é que os elétrodos têm de estar” sem necessitar de recorrer a ações do doente.

Agora, três meses depois da publicação do estudo, o diretor do Serviço de Neurocirurgia do Hospital de São João, Rui Vaz, convidou Rick Schuuman para ajudar a aplicar esta técnica em Portugal, a qual pode permitir a realização de intervenções a todos aqueles que sofrem desta doença.

“Operamos menos e há várias razões para isso, mas uma delas, muito comprovada, é que os pacientes têm medo da operação”, lembra o neurocirurgião português. “É um tópico que para nós, enquanto equipa, enquanto hospital e enquanto país, tem de nos interessar”, reforça Rui Vaz, já que esta técnica poderá permitir captar os doentes menos confiantes e intervencionar mais pessoas no mesmo período.

SO

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