22 Nov, 2021

“Os portugueses consomem anualmente 12 litros de álcool”, estando acima da média europeia

Segundo José Presa, os portugueses consomem anualmente um dos registos mais elevados dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

O consumo de álcool preocupa vários especialistas, tendo em conta os danos que este  pode provocar no organismo humano. Segundo o presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), José Presa, as doenças hepáticas deviam ser uma das preocupações dos portugueses, pois que no que se refere ao consumo de álcool Portugal encontra-se acima da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “Os portugueses consomem anualmente, em média, 12 litros de álcool, sendo que a média ronda os 10 litros de álcool!”, alerta o especialista em Medicina Interna.

 

Quais as principais consequências do consumo excessivo de álcool para o organismo?

As consequências do consumo excessivo traduzem-se em consequências diretas: afetando o coração (podem provocar lesões cardíacas, muitas vezes, irreversíveis), lesões cerebrais potenciando o aparecimento de quadros demenciais, epilepsia ou acidente vascular cerebral (AVC) e também sobre o fígado de que falaremos mais à frente; as outras consequências são as indiretas relacionadas com os acidentes de viação e de trabalho, que acarretam a mortalidade e incapacidade.

O relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) também o demonstra, uma vez que indica que, em 2019, foram registados 38.122 internamentos hospitalares, com diagnóstico principal e/ou secundário atribuíveis ao consumo de álcool, envolvendo 28.245 indivíduos, em Portugal. O mesmo estudo refere ainda que, em 2018, morreram 2.493 pessoas por doenças atribuíveis ao álcool, 26 por cento das quais por doenças atribuíveis à doença alcoólica do fígado.

É importante também alertar para o consumo excessivo de álcool entre a população jovem, sem grande controle nomeadamente nos estabelecimentos de diversão noturna.

 

Que tipo degradação pode o álcool causar no fígado?

O álcool no seu metabolismo produz determinadas substâncias, que o fígado, pela sua exposição continuada, acaba por produzir inflamação, cicatrização, que no final origina a Cirrose Hepática e posteriormente o aparecimento de um tumor do fígado.

 

Quais os valores recomendados, no espectro do saudável, do consumo regular de álcool?

Verdadeiramente ZERO. Sabemos que mesmo pequenas quantidades de álcool são deletérias para a saúde do fígado.

 

Quais as diferenças entre fígado gordo, hepatite alcoólica e cirrose hepática?

Fazem parte do espectro da mesma doença, só que em estadios diferentes de evolução, sendo que os dois últimos são as formas mais graves da doença.

 

Comparativamente com o resto dos países da UE, em que lugar se encontra Portugal ao nível do consumo anual de álcool?

Os portugueses consomem anualmente, em média, 12 litros de álcool, um dos registos mais elevados dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A média ronda os 10 litros de álcool! Nos próximos 30 anos, estima-se que os portugueses vejam a esperança média de vida reduzida em um ano, “devido a doenças e lesões provocadas pelo consumo diário”.

 

Que medidas deveriam ser postas em prática para controlar este flagelo?

Aumentar o preço e a disponibilidade do álcool. O exemplo escocês é muito elucidativo sobre isso. A proibição de campanhas de promoção de bebidas alcoólicas. Continuamos a vê-las em outdoors e pior, associadas ao desporto, mesmo com o cunho de 0%.

Na campanha “Prevenir a Utilização Nociva do Álcool”, Portugal deve investir 1,6 euros por cidadão num conjunto de medidas para combater o uso excessivo de álcool, para dessa forma prevenir até 2050 “542 mil doenças e lesões”, “poupar 45 milhões de euros por ano em custos de saúde” e “aumentar o emprego e a produtividade o equivalente a 6 mil trabalhadores a tempo inteiro por ano”.“Por cada euro investido neste pacote de medidas, 16 euros serão devolvidos em benefícios, sem considerar qualquer impacto sobre a indústria do álcool”.

 

Que conselhos deixa aos portugueses, de modo a melhor controlarem a sua saúde hepática?

Não bebam pela sua saúde. Controlem o vosso peso, pois a obesidade está associada a um maior risco de lesão hepática com o consumo de álcool.

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