18 Set, 2020

OM: encerrar urgência obstétrica do Amadora-Sintra à noite é “preocupante”

Amadora-Sintra teve maior parte de grávidas com covid da região sul. Encerramento poderá sobrecarregar urgências de outros hospitais, diz Alexandre Valentim Lourenço.

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos manifestou ontem preocupação devido ao encerramento noturno da urgência de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital Amadora-Sintra. Segundo o responsável, este poderá sobrecarregar o serviço de outros hospitais.

Alexandre Valentim Lourenço argumentou que o Hospital Amadora-Sintra, por servir uma “população muito jovem”, “realiza muitos partos diários“. Assim, considerou “preocupante” a informação de que o serviço de urgência de Ginecologia-Obstetrícia iria encerrar no período entre as 20h e as 8h.

Em comunicado, o hospital em questão tinham anunciado ontem que iria encerrar o Serviço de Urgência de Ginecologia-Obstetrícia no período noturno a partir de segunda-feira devido a “escassez de recursos humanos” que assegurem um eficaz atendimento às grávidas.

Por esse motivo, a instituição solicitava às grávidas dos concelhos abrangidos pelo Hospital Amadora-Sintra que recorressem, durante o horário noturno, aos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (Hospital de Santa Maria), do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (Maternidade Dr. Alfredo da Costa), do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (Hospital São Francisco Xavier) e do Hospital de Cascais.

Para o médico obstetra Alexandre Valentim Lourenço esta situação poderá criar constrangimentos na resposta dos serviços de outros hospitais.

Lembrando que a percentagem de grávidas infetadas com covid-19 nos concelhos abrangidos pelo hospital Amadora-Sintra era, em agosto, a mais elevada da região Sul do país, o responsável acredita que esta medida poderá levar à sobrecarga deste serviço noutros hospitais e à falta de camas nas enfermarias, agravada pela necessidade de isolar grávidas infetadas com o novo coronavírus.

“É preciso um reforço do pessoal, fazer reajustamentos nas enfermarias, criar duplos circuitos [por causa da covid-19], isolar grávidas infetadas”, descreveu, acrescentando que o Hospital Amadora-Sintra é, na região Sul, o que tem “mais necessidade de recorrer a médicos contratados”.

Segundo a informação avançada pelo Hospital Amadora-Sintra, o hospital “continua, em articulação estreita com o Ministério da Saúde e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a trabalhar para encontrar soluções adequadas e concretizáveis no mais curto espaço de tempo possível, de modo a minimizar os constrangimentos que esta situação possa vir a causar”.

Lusa/SO

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