Ordem considera inaceitável carga horária dos anestesistas

A Ordem dos Médicos considera inaceitável que o Ministério da Saúde continue a obrigar os anestesistas a fazer 18 horas semanais de serviço de urgência, impedindo assim que se aumente a capacidade cirúrgica em Portugal. Bastonário reforça a importância de reter jovens médicos no SNS.

O bastonário Miguel Guimarães lembra que a reivindicação de se passar das 18 para as 12 horas semanais obrigatórias em serviço de urgência é comum a todos os médicos, mas entende que no caso dos anestesiologistas é particularmente grave e é “má gestão política”.

“É inaceitável que o Ministério da Saúde continue a fechar os olhos em relação ao número de horas que os anestesiologistas são obrigados a fazer no serviço de urgência”, refere Miguel Guimarães em declarações à agência Lusa, a propósito do estudo dos Censos de Anestesiologia 2017, que indicam que estão mais de 500 profissionais em falta nos hospitais públicos.

O bastonário defende que a redução de 18 para 12 horas semanais em urgência, voltando a cumprir o que estava estabelecido antes da intervenção da ‘troika’, iria “aumentar a capacidade cirúrgica no país”. As horas que deixassem de cumprir em serviço de urgência passavam a ser cumpridas em bloco operatório.

“Não há anestesiologistas para cumprir os tempos dos blocos operatórios. A falta de anestesiologistas tem implicações muito importantes, tornando o Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais frágil”, afirmou, lembrando que muitos tempos máximos de resposta garantidos em cirurgia não são cumpridos.

A mesma análise nota que cerca de um terço dos profissionais formados nos últimos anos optou por não trabalhar no SNS. Em declarações à Lusa, o bastonário lamenta que o Ministério da Saúde continue a deixar sair profissionais para fora do país e para o privado, não os retendo no SNS.

“O país tem de criar condições competitivas para reter os jovens médicos no SNS. E dizer isto não significa pagar mais apenas. Significa, por exemplo, abrir rapidamente os concursos para os especialistas que terminam a sua formação e não demorar meses e meses a fazê-lo, fazendo com que desistam do sistema”, afirmou o bastonário à agência Lusa.

É também necessário, segundo o representante dos médicos, melhorar o apoio à formação profissional, dar acesso aos profissionais à investigação, oferecer um claro projeto de trabalho e boas condições para trabalhar.

LUSA/SO

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