23 Mar, 2017

OMS recomenda países africanos a investirem mais nos sistemas de saúde

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou os países africanos a investirem mais nos seus sistemas de saúde para poderem detetar, prevenir e tratar melhor a depressão, doença que afeta 30 milhões de pessoas no continente

A recomendação foi feita à imprensa, na cidade da Praia, por Sabastiana Nkoma, ponto focal do Escritório Regional da OMS para a Saúde Mental, e Shekhar Saxena, diretor do departamento de Saúde Mental da OMS, que estão em Cabo Verde para participar numa série de atividades sobre a depressão, no âmbito do Dia Mundial de Saúde, que se assinala a 7 de abril.

Segundo Sabastiana Nkoma, os investimentos devem ser feitos a nível financeiro, com mais infraestruturas de saúde, como hospitais, clínicas, mas também a nível de recursos humanos e profissionais capacitados para abordar a doença, que afeta 30 milhões de pessoas nos 47 países da região africana da OMS, 4% da população.

“Nos países da África, os profissionais que deviam atender as pessoas que têm problema de depressão são escassos, há poucos psiquiatras, poucos psicólogos e assistentes sociais, e mais de 75% da população que sofre transtorno mental, incluindo a depressão, não recebe nenhum tipo de tratamento”, apontou.

A especialista sublinhou que as pessoas procuram primeiro os serviços tradicionais e quando a depressão já está fora de controlo é que aparecem nos postos sanitários.

“É por isso que devemos prestar mais atenção e todos os governos são recomendados a investir mais nos sistemas de saúde, incluindo a saúde mental, onde está a depressão”, sugeriu.

A OMS recomenda que 5% dos orçamentos gerais dos países tem que ser dedicado ao sistema de saúde, mas o ponto focal do Escritório Regional da OMS disse que os países africanos ainda não chegaram a essa meta, estando apenas em 1% desse valor.

“Todos os países, ricos ou pobres, grandes ou pequenos, independentemente da cultura, da língua, devem dar mais atenção à depressão”, completou Shekhar Saxena, considerando que só com mais recursos se pode tratar mais pessoas.

Relativamente a Cabo Verde, onde 4,9% da população sofre de depressão, Sabastiana Nkoma disse que o país não está mal, estando a atingir as recomendações da OMS sobre a doença.

A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas.

Em todo o mundo, o número de pessoas que vivem com a doença aumentou mais de 18% entre 2005 e 2015, para 322 milhões, com a prevalência a ser maior entre as mulheres.

A depressão é também a maior causa de incapacidade em todo o mundo e mais de 80% da carga está entre as pessoas que vivem em países de baixa e média renda.

No âmbito do Dia Mundial de Saúde, celebrado a 7 de abril, a OMS vai assinalar do dia sob o lema “Depressão: vamos conversar”, salientando que conversando abertamente é o primeiro passo para entender melhor o assunto e reduzir o estigma associado à doença.

Na quinta e sexta feiras, os dois especialistas internacionais da OMS vão participar, na cidade da Praia, num seminário, organizado em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, sobre o acesso e utilização adequada de medicamentos a pessoas que sofrem de doenças mentais.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

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