19 Nov, 2018

Número de reações adversas a medicamentos não pára de aumentar. Há 30 casos por dia

Números de situações reportadas à Autoridade Nacional do Medicamentos (Infarmed) quase duplicou nos primeiros seis meses do ano. Infarmed apela ao reporte com campanha dirigida, este ano, a grávidas, bebés e crianças.

Só nos primeiros seis meses de 2018 a autoridade do medicamento registou em média 30 casos de reações adversas a fármacos por dia, num total de 5385 notificações. Estes números, avançados esta segunda-feira pelo Jornal de Notícias, representam um aumento significativo em relação ao ano passado.

Em 2017 registaram-se, em média, 17 casos por dia (6105 no total do ano). Os casos mais severos foram reportados na sequência da utilização de fármacos inovadores na área oncológica. Um terço dos casos aconteceu na população idosa.

No entanto, o aumento das notificações de reações adversas não significa que esteja em causa a segurança e a qualidade dos medicamentos. Sofia Oliveira Martins, vogal do Conselho Diretivo do Infarmed, lembra ao JN a criação do portal RAM (reações adversas ao medicamento), em 2017, que tornou mais simples o processo de reporte. A maior literacia dos cidadãos também ajuda a explicar parte do aumento. Contudo, segundo Sofia Oliveira Martins, Portugal está ainda abaixo do número de notificações esperados, segundo estudos internacionais.

O recurso à automedicação, o aumento do consumo de fármacos, o cruzamento de comprimidos e a toma de produtos naturais estão entre as principais causas dos efeitos secundários. O uso abusivo dos antibióticos também pode contribuir para uma menor tolerância a certos fármacos.

Em 2017, foram contabilizados quase 4 mil casos de reações adversas graves. A maior parte dessas reações não estavam descritas nas bulas dos medicamentos.

 

Campanha 

 

Com o objetivo de apelar aos cidadãos para que reportem as situações de reações adversas a algum medicamento, o Infarmed lança esta segunda-feira uma campanha nas redes sociais. Este ano a campanha coloca o foco nas grávidas, nos bebés e nas crianças. “Isso é ainda mais importante, porque usamos muitas vezes medicamentos em crianças que não têm ensaios próprios e estamos a extrapolar o conhecimento que temos dos medicamentos para adultos”, explica Maria do Céu Machado, presidente do Infarmed.

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