8 Mai, 2020

Negros e asiáticos são muito mais vulneráveis à Covid-19

Pessoas negras, asiáticas ou de outras minorias étnicas têm muito mais probabilidades de morrer de covid-19 do que a média dos britânicos, concluíram dois estudos.

Uma análise do instituto nacional de estatísticas britânico (ONS) mostra que homens e mulheres negros têm 4,2 vezes e 4,3 vezes, respetivamente, mais probabilidades, de morrer do novo coronavírus do que os compatriotas brancos da mesma faixa etária.

Levando em consideração outros fatores sociodemográficos (composição da família, histórico clínico, qualificações profissionais, área de residência, situação económica da família, etc.), o risco de pessoas negras morrerem por causa deste vírus permanece 1,9 vezes superior ao de uma pessoa branca.

“Esses resultados indicam que a diferença de mortalidade entre grupos étnicos é parcialmente devida a uma desvantagem socioeconómica, mas também mostram que além disso existe uma diferença que não pode ser explicada por enquanto”, refere o ONS no seu relatório.

A análise do ONS com base nas estatísticas oficiais confirmam as conclusões de outros estudos sobre esta tendência, evidenciada pelo número elevado de mortes de profissionais de saúde de origem étnica. 

Além de estarem a investigar esta questão, o NHS England, responsável pelos serviços de saúde públicos em Inglaterra, aceitou a sugestão da ordem dos médicos para os profissionais de saúde serem, por precaução, identificados de acordo com potenciais vulnerabilidade ao vírus e serem protegidos.

Entretanto, académicos da University College London (UCL) que olharam para pacientes que foram diagnosticados com o coronavírus e morreram em hospitais públicos ingleses entre 1 de março e 21 de abril também detetaram que o risco de morte pelo vírus é “duas a três vezes maior” para as minorias negras, asiáticas ou outras etnias do que para a população em geral.

Por exemplo, uma pessoa de origem paquistanesa tem 3,29 vezes mais probabilidades de morrer que a média, um pouco mais que uma pessoa de origem africana (risco 3,24 vezes maior).

As comunidades de Bangladesh também são muito afetadas (2,41 vezes mais probabilidades de morrer do que a média), assim como as originárias das Caraíbas (2,21 vezes mais probabilidades) e as indianas (1,7 vezes mais probabilidades).

“Este trabalho mostra que, longe de atingir de maneira igual, a covid-19 é desproporcionalmente mais mortal para as minorias”, vincou um dos coautores e professor de Saúde Pública na UCL, Delan Devakumar.

SO/LUSA

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