Estudo revela que só após os 65 anos a proteína animal tem vantagem no músculo
A proteína de origem vegetal pode ser tão eficaz como a animal no aumento da massa proteica muscular em adultos mais jovens, segundo uma investigação portuguesa. Apenas a partir dos 65 anos se observou uma ligeira vantagem da proteína animal na estimulação do músculo.

Um estudo realizado por investigadores portugueses concluiu que a proteína de origem vegetal e a proteína de origem animal apresentam efeitos semelhantes na promoção do aumento da proteína muscular em adultos mais jovens, verificando-se apenas uma ligeira vantagem da proteína animal nas pessoas com mais de 65 anos.
A investigação consistiu numa meta-análise que reuniu dados de 12 estudos dedicados à comparação entre os efeitos da ingestão de proteína animal e vegetal na síntese de proteína muscular.
Os investigadores analisaram diferentes grupos etários, períodos de observação e a interação entre a ingestão de proteína e a prática de treino de força.
Os resultados mostram que, em indivíduos mais jovens, as diferenças entre os dois tipos de proteína são praticamente inexistentes, mesmo quando associadas ao exercício físico orientado para o aumento da massa muscular.
Já entre os participantes com mais de 65 anos, a proteína de origem animal revelou uma maior eficácia na estimulação da síntese proteica muscular.
Em declarações à Lusa, Gonçalo Vilhena de Mendonça, orientador do estudo, explicou que esta diferença poderá estar relacionada com a presença de leucina, um aminoácido encontrado em maior quantidade nas proteínas de origem animal.
Segundo o investigador, com o avanço da idade torna-se necessário um aporte superior de leucina para estimular eficazmente a produção de proteína no músculo esquelético.
Quando a ingestão recai sobre proteínas com menor teor deste aminoácido, como acontece frequentemente nas fontes vegetais, a resposta muscular dos adultos mais velhos tende a ser menos eficiente.
O estudo foi desenvolvido no Laboratório de Função Neuromuscular da Faculdade de Motricidade Humana pela nutricionista e investigadora Brícia Mendes.
Relativamente aos adultos mais jovens, Gonçalo Vilhena de Mendonça destaca várias vantagens associadas às proteínas vegetais, sobretudo quando utilizadas sob a forma de suplementos.
Entre elas está o custo, uma vez que estes produtos tendem a ser mais acessíveis do que os suplementos de proteína de origem animal.
O investigador sublinha ainda os benefícios ambientais, considerando que as proteínas vegetais representam uma opção mais sustentável, além de serem compatíveis com regimes alimentares vegetarianos.
Outra vantagem apontada prende-se com as pessoas que apresentam intolerância à lactose. Muitos suplementos de proteína animal são produzidos a partir do soro do leite (whey protein), podendo não ser a opção mais adequada para quem tem dificuldade em digerir este açúcar presente nos lacticínios.
A meta-análise reuniu dados de 303 participantes, dos quais 121 tinham mais de 65 anos.
Os autores defendem que os resultados ajudam a clarificar o papel das diferentes fontes proteicas na manutenção da massa muscular e sugerem que, para a maioria dos adultos, a proteína vegetal pode constituir uma alternativa eficaz à proteína animal, reservando-se as principais diferenças para as faixas etárias mais avançadas.
LUSA/SO
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