Na última década, Portugal “mais do que duplicou exportações em saúde”

O presidente do Health Cluster Portugal (HCP), Luís Portela, afirmou, que nos últimos nove anos, Portugal “mais do que duplicou as exportações em saúde”, passando dos 627 milhões de euros, para os 1.411 milhões

“Exportámos mais do que 1.400 milhões de euros, mais do que a cortiça e bastante mais do que os vinhos, mas o país é conhecido pelos vinhos e pela cortiça, a nossa boa saúde ainda não é conhecida”, disse Luís Portela, considerando que este é “um dos grandes desafios dos próximos anos”.

Luís Portela encerrou ontem funções como presidente do HCP, sendo sucedido no cargo por Salvador de Mello, do grupo José de Mello Saúde, que terá como vice-presidentes António Rendas, reitor da Universidade Nova, e João Pedro Almeida Lopes, presidente da Apifarma.

Sobre o balanço dos últimos nove anos à frente do HCP, Luís Portela – presidente não executivo dos laboratórios Bial – disse à Lusa que “70% das exportações foram medicamentos”, mas salientou também “os dispositivos médicos e matérias-primas na área químico-farmacêutica”.

“Temos hoje uma exportação bastante diversificada na área da saúde, mas estamos capazes de exportar cada vez mais serviços também, onde as coisas ainda estão um bocadinho incipientes”, sublinhou.

Do ponto de vista assistencial, os indicadores de saúde são “muito bons”, disse Luís Portela, apontando que “a nossa esperança média de vida é superior à média europeia” e que a mortalidade infantil é “das melhores da Europa e do mundo”.

Quanto à inovação, o ainda presidente do HCP afirmou que das 25 instituições que mais patenteiam a partir de Portugal, “dez são da área da saúde”.

O investimento nas áreas do turismo de saúde e da investigação clínica é ainda considerado um desafio que a nova direção terá de enfrentar, segundo Luís Portela.

A investigação clínica “caiu muito nos últimos 10/15 anos” sendo necessário que “os atores no terreno se dediquem, conquistem e envolvam as entidades que têm disponibilidades financeiras para a apoiar. É necessário uma aposta nacional na investigação clínica para que ela tenha em Portugal a dimensão que deve ter”, referiu.

“Temos boas instituições, temos excelentes profissionais, temos muito bons investigadores e é uma pena que a investigação clínica não tenha a dimensão apropriada, mas temos condições para a ter. Acho que é um desafio grande para os próximos anos”, frisou.

Considerando como algo que está “incipiente no nosso país“, o turismo de saúde é outra área a explorar, afirmou.

“Temos de conquistar a confiança de quem nos visita, de quem vem a Portugal. Temos hoje um número de turistas muito grande no país, temos grande número de estrangeiros que opta por residir em Portugal, temos que desenvolver o turismo de saúde como ele deve ser desenvolvido e como ele merece, de uma forma profissional”, considerou o responsável.

Admitiu que “há outros países a concorrerem connosco”, mas salientou que Portugal “tem condições, nomeadamente climatéricas e de hotelaria, muito boas para ter um turismo de saúde de qualidade e o desenvolver bastante”.

Luís Portela esteve ontem na Conferência “Encontros com a Inovação” do HCP que se realizou no Instituto de Desenvolvimento e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto que reuniu 150 especialistas, de 13 países.

“Queremos que as instituições de saúde portuguesas se conheçam entre si, mas também queremos que os atores da saúde na Europa e no mundo conheçam os que se faz em Portugal para, a partir daí, surgirem novos projetos e novas oportunidades, quer de investimento, quer de desenvolvimento, quer de negócio”, acrescentou.

LUSA/SO/SF

 

Gedeon Richter

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