Mulheres com rastreios positivos esperam meses para despistar cancro do colo do útero no Santa Maria

Em julho, doentes com lesões pré-malignas viram os exames marcados apenas para 2019. Especialistas condenam a demora e defendem que o tempo de espera não deve ser superior a um mês. ARS diz que vai aplicar um plano de recuperação da lista de espera.

O hospital de Santa Maria está com dificuldades em responder aos pedidos de colposcopias, um tipo de exame visual da vagina e ao cólo do útero que é essencial no despiste do cancro do cólo do útero. Há 149 doentes à espera de fazer o exame e muitas das mulheres viram, em julho, este exame ser marcado apenas para 2019. Um atraso, a rondar os seis meses, que pode ser comprometedor, alertam os especialistas, especialmente, depois de terem sido detetadas nestas mulheres lesões pré-malignas na sequência de um rastreio.

O rastreio do cancro do colo do útero de base populacional, em que todas as mulheres entre os 25 e os 60 anos incritas nos centros de saúde são chamadas para despistar a doença, está previsto desde 2016 mas só este ano avançou em força na região de Lisboa, estando já presente em 13 dos 15 agrupamentos de centros de saúde da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Das cerca de 11 mil citologias para detetar o vírus do papiloma humano realizadas, 579 deram origem a pedidos de colposcopias dirigidos aos quatro hospitais que se dispuseram a receber estas utentes. É, como seria de esperar, o maior hospital do país, Santa Maria, que recebe a grande parte destes exames.

O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas admite que a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem conhecimento de problemas de resposta nesta área, especialmente com a falta de ginecologistas – a escassez destes profissionais não é um exclusiva do Santa Maria. Nuno Miranda defende, em declarações ao Diário de Notícias, a contratação de mais especialistas e diz que não é porque os hospitais estão com dificuldades em fazer o exame que de deve acabar com o rastreio: “O rastreio criado neste ano aumenta a pressão sobre os hospitais, em especial em alturas complicadas, como de férias, com escassez de profissionais, mas não é razão para abandonar o rastreio, mas sim para exigir a resolução dos problemas”.

 

Especialistas alertam para o perigo da demora

 

No caso do Hospital de Santa Maria, espera-se que o médico que vai reforçar o serviço de ginecologia, no seguimento do último concurso de colocação de especialistas, entre ao serviço até setembro, o que cria a expectativa de que as colposcopias ainda consigam ser realizadas até ao final deste ano. “É uma espera que pode levar a um problema grave, com uma evolução significativa. Mas há que frisar que nem sempre estamos a falar de cancro, é um diagnóstico pré-maligno, o que não invalida que tenhamos de lutar por melhores tempos de resposta”, alerta Nuno Miranda. “Não faz sentido tempos de espera acima de um mês/mês e meio”, sublinha Luís Graça, presidente da Sociedade de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal.

A ARS de Lisboa reconhece o problema e confirma que “devido ao aumento dos pedidos decorrente do acréscimo de unidades a participar no rastreio”, há exames que só se irão realizar em 2019. Contudo, a ARSLVT avança ao DN que o Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), que integra o Hospital de Santa Maria e o Pulido Valente, vai aplicar um “plano de recuperação para esta lista de espera”, que inclui a “contratação de atividade adicional” e a integração do referido jovem médico. A ARSLVT acrescenta ainda que o CHLN já está a contactar os doentes para antecipar a marcação das colonoscopias.

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