17 Fev, 2022

Mortalidade por covid-19 mantém-se muito acima do limiar máximo

A mortalidade é o indicador que mais preocupa os especialistas, situando-se em mais do triplo do limiar máximo. Alívio total de restrições só no final de março.

A mortalidade por covid-19 em Portugal está atualmente fixada nos 63 óbitos por cada milhão de habitantes, um valor que coloca o país acima muito acima do limiar máximo (20 por milhão de habitantes a 14 dias) recomendado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Este continua a ser o indicador mais preocupante e, por esta altura, o único que poderá impedir o governo de retirar de imediato todas as medidas de combate à pandemia. Os especialistas recomendaram esta quarta-feira, na reunião que decorreu no Infarmed, que o país avance de imediato com o alívio de várias restrições, perante a evolução favorável de uma série de indicadores, naquilo que designaram como fase 1.

Para Portugal estar em condições de avançar para a fase 0, em que se dispensariam testes, certificados, máscaras ou o reporte diário dos casos, os óbitos por milhão habitantes têm de ser inferiores a 20 (a 14 dias) e o número de doentes infetados com SARS-CoV-2 em camas de cuidados intensivos inferior a 170. Se o primeiro indicador têm vindo numa tendência descendente e já cumpre o limiar defendido (estavam esta quarta-feira 142 doentes internados em unidades de cuidados intensivos), já a mortalidade tem percorrido o caminho contrário.

Segundo a pneumologista Raquel Duarte, que faz parte do grupo de aconselhamento do governo, a previsão é a de que se atinja um valor de mortalidade abaixo das 20 mortes por milhão de habitantes a 14 dias “no próximo mês e qualquer coisa”, isto, até final de março Portugal poderá ver eliminadas todas as restrições.

Por outro lado, uma análise feita por uma equipa de especialistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) aponta para uma letalidade com a variante Ómicron (nos últimos 21 dias), de apenas 0,004%, o que significa que há 0,4 mortes por cada 10 mil casos ocorridos nos últimos 21 dias, avança o Público.

É mais um dado a comprovar que a atual variante, conjugada com o efeito protetor das vacinas, provoca muito menos óbitos em comparação com as variantes Alfa e Delta do SARS-CoV-2. “Na média dos últimos sete dias temos 45 óbitos por dia e, destes, 67% são maiores de 80 anos e 20% têm entre 70 e 79 anos”, sublinha o epidemiologista Manuel Carmo Gomes. “Infelizmente, o número de casos nestas idades está a descer muito lentamente. Ainda temos cerca de 850 novos casos por dia [na faixa dos] 80 ou mais anos e cerca de mil na dos 70 a 79”. E alguns dos infectados têm “muita patologia e descompensam”, explica o especialista.

SO

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