DGS lança via verde para resposta rápida ao choque cardiogénico
A Direção-Geral da Saúde lançou um projeto-piloto da Via Verde do Choque Cardiogénico em três hospitais do país, para garantir resposta mais rápida a uma emergência cardiovascular com mortalidade superior a 50%. A iniciativa arrancou este mês.

A Via Verde do Choque Cardiogénico arrancou este mês em três hospitais do país, no âmbito de um projeto-piloto da Direção-Geral da Saúde (DGS) destinado a melhorar a resposta a uma emergência cardiovascular associada a mortalidade superior a 50%.
A iniciativa está a ser implementada no Hospital de São João, no Porto, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e no Hospital de São José, em Lisboa, revelou à agência Lusa a diretora do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares da DGS e coordenadora do projeto, Fátima Franco.
Segundo a responsável, a nova rede de referenciação pretende assegurar uma resposta rápida e organizada, garantindo a identificação precoce dos doentes e a sua transferência para centros com capacidade diferenciada.
“O choque cardiogénico é uma emergência tempo-dependente. São doentes graves, em que a resposta rápida faz a diferença em termos de prognóstico”, afirmou Fátima Franco.
A especialista sublinhou que o objetivo é assegurar uma resposta “rápida, segura e equitativa”, independentemente da localização do doente.
De acordo com a coordenadora, o choque cardiogénico afeta cerca de 800 pessoas por ano em Portugal e apresenta uma mortalidade superior a 50%, bastante acima da registada no enfarte agudo do miocárdio, que ronda os 3% a 5%.
Ao contrário do enfarte ou do AVC, o choque cardiogénico é mais difícil de identificar precocemente, sendo frequentemente reconhecido já em contexto hospitalar.
“Muitas vezes o doente está num hospital periférico e o desafio é perceber quando está a evoluir para um quadro de choque cardiogénico”, explicou.
A fase piloto terá uma duração entre seis e 12 meses e permitirá testar o modelo, harmonizar critérios clínicos e avaliar resultados antes de um eventual alargamento a outros hospitais do país.
O projeto prevê uma articulação entre hospitais periféricos e centros terciários com equipas multidisciplinares e recursos diferenciados, incluindo cardiologia de intervenção, cuidados intensivos, cirurgia cardíaca e suporte circulatório.
O transporte dos doentes será assegurado pelo INEM e pelo transporte inter-hospitalar, ao abrigo da portaria que regula o transporte de doentes críticos.
Todos os casos incluídos nesta fase serão registados num sistema clínico nacional, permitindo monitorizar resultados e construir uma caracterização nacional do choque cardiogénico.
Segundo Fátima Franco, haverá também reforço da formação nos hospitais afiliados, para melhorar o reconhecimento precoce da doença e uniformizar critérios de avaliação e encaminhamento dos doentes.
LUSA/SO
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