22 Mai, 2026

São João instala botões de pânico virtuais para proteger profissionais

A Unidade Local de Saúde São João, no Porto, implementou um sistema de botões de pânico virtuais nos consultórios e serviços clínicos para reforçar a proteção dos profissionais perante situações de ameaça ou agressão.

São João instala botões de pânico virtuais para proteger profissionais

Os profissionais da Unidade Local de Saúde (ULS) São João, no Porto, passaram a dispor de um sistema de botões de pânico virtuais que permite pedir ajuda rápida e discreta em situações de ameaça, violência ou comportamento agressivo.

A solução, denominada StoPanic, começou por ser testada em vários serviços hospitalares e está agora a ser alargada aos cuidados de saúde primários, revelou hoje a instituição.

O sistema funciona através dos computadores instalados nos gabinetes e postos de trabalho. Sempre que um profissional se sente em risco, pode acionar um alerta que é imediatamente enviado para os gabinetes vizinhos e para a central de segurança.

Na prática, o alerta permite que colegas próximos se desloquem rapidamente ao local, numa tentativa de reduzir a tensão e dissuadir comportamentos agressivos.

“O objetivo é que as pessoas que estão nos gabinetes ao lado vão ao encontro do colega. Às vezes basta entrar para fazer uma pergunta para que a tensão baixe”, explicou à Lusa o diretor dos Serviços de Tecnologias de Informação e Comunicação da ULS São João, Carlos Ribeiro.

Segundo o responsável, o sistema foi testado desde o segundo semestre do ano passado no Centro de Ambulatório, Banco de Sangue, Admissões e Altas, Unidade de Colheitas, Hospital de Dia e Urgência Pediátrica.

Este mês, a ferramenta começou também a ser utilizada nos cuidados de saúde primários, inicialmente no centro de saúde do Bonfim.

Carlos Ribeiro explicou que já existiam botões físicos de emergência em algumas áreas hospitalares, sobretudo nas urgências, mas que a instalação massiva desses dispositivos em todos os gabinetes seria difícil e dispendiosa.

Daí surgiu a ideia de criar uma solução digital integrada nos computadores utilizados pelos profissionais.

Desde o início do ano foram registadas cinco situações reais em que o botão virtual foi acionado por profissionais da ULS São João.

Segundo Carlos Ribeiro, nenhum dos episódios evoluiu para situações graves, algo que atribui ao efeito dissuasor do sistema e à rápida intervenção de colegas e equipas de segurança.

O responsável destacou ainda o impacto psicológico positivo da medida, sublinhando que muitos profissionais sentem maior segurança no exercício das suas funções.

Miguel Ornelas, médico de medicina geral e familiar na USF da Arca D’Água, afirmou à Lusa que já presenciou episódios de tensão entre utentes e profissionais e defendeu a importância de medidas que reforcem a segurança nos serviços.

O clínico alertou que os episódios de violência contribuem para absentismo, desgaste psicológico, ‘burnout’ e abandono do Serviço Nacional de Saúde.

Segundo dados recentes da Direção Executiva do SNS e da Direção-Geral da Saúde, foram registados 3.429 episódios de violência contra profissionais do SNS em 2025, mais 848 do que no ano anterior.

Esses episódios originaram mais de dois mil dias de ausência ao trabalho.

A ULS São João indicou ainda que já instalou 386 botões de pânico digitais e prevê atingir cerca de mil dispositivos até ao verão, estando em curso o alargamento do projeto a mais centros de saúde e ao polo hospitalar de Valongo.

LUSA/SO

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