11 Dez, 2020

Médicos do Santa Maria vão operar 500 doentes no privado

Objetivo é assegurar cirurgias não prioritárias numa altura em que a capacidade de resposta no Santa Maria está direcionada para os doentes Covid.

Alguns médicos do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) – a que pertencem os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente – vão operar, em hospitais privados, doentes que estão a ser seguidos no SNS e que se encontram em lista de espera para cirurgia, embora não sejam considerados prioritários.

O plano, que passa por intervencionar pelo menos 500 doentes até ao final de janeiro, tem como objetivo evitar o aumento dos doentes em lista de espera para cirurgia, à semelhança do que aconteceu na primeira vaga da pandemia. “Tivemos a experiência da primeira fase, em que a suspensão da atividade teve um peso forte na acessibilidade dos doentes aos cuidados cirúrgicos, tornando-se mais difícil e mais prolongada”, explica Daniel Ferro, presidente do conselho de administração do CHLN, em declarações ao DN.

Assim, já foram assinados protocolos com cinco unidades do sector privado e social, tendo como referência os valores que o SNS paga aos hospitais públicos pelos mesmos atos cirúrgicos. “Se não fosse esta alternativa teríamos perto de 500 doentes que não seriam já operados com risco de se degradar a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias”, diz Daniel Ferro.

O plano implica a contratação de 250 camas de internamento, das quais 50 são de cuidados intensivos, e outros recursos, como material cirúrgico. Vão ser operados 500 doentes nas especialidades de neurocirurgia, cirurgiascardíaca, vascular, plástica, ortopedia, otorrino e urologia, que já tinham intervenções agendadas até janeiro de 2021.

A solução encontrada permite dar resposta aos doentes não-covid perante a diminuição da capacidade de resposta a estes doentes, que se tem agravado com a intensificação dos internamentos de doentes com Covid-19. Em novembro, com a pandemia no auge, o CHLN viu-se obrigado a mobilizar cerca de 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros e assistentes operacionais, das suas áreas de origem para a assistência ao doente covid.

À semelhança do CHLN, também o Garcia de Orta, em Almada, e o Amadora-Sintra já assinaram protocolos com unidades privadas no mesmo âmbito.

TC/SO

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