24 Set, 2020

Médica de família agredida em Almada. FNAM culpa Ministério da Saúde

Marcação de consulta esteve na origem da agressão. Sindicato dos Médicos diz que excesso de trabalho imposta pela tutela cria "situações explosivas".

Uma médica de Medicina Geral e Familiar foi agredida esta quarta-feira, no Centro de Saúde de Santo António e Laranjeiro, depois de ter informado uma utente de que a consulta que esta tinha pedido para marcar só teria lugar hoje, quinta-feira.

A utente reagiu agredindo a médica Eugénia Cheptene, tendo-lhe desferido “murros e puxões de cabelo”, que lhe “danificaram os óculos”, avançou fonte da PSP ao Expresso. A agressão ocorreu antes da dez da manhã durante a habitual triagem aos doentes que têm consulta marcada e os que querem ser atendidos sem marcação.

A médica levou “o cartão de utente da filha da agressora ao Dr. Feliciano, médico de família atribuído, e ao secretariado clínico, que marcou uma consulta para [quinta-feira] às 8.30 horas”, como relatou a própria médica ao Jornal de Notícias.

“Quando e comuniquei a que horas era a consulta, começou logo a gritar. Não quis aceitar o papel da marcação. Depois passou para as agressões verbais: és uma arrogante, és uma merda”, conta Eugénia Cheptene, de 53 anos, que admite que terá de procurar apoio psicológico depois desta agressão. A agressora não foi detida pela PSP, uma vez que quando os agentes chegaram ao local o crime já tinha ocorrido.

 

Excesso de trabalho cria “situações explosivas”, diz Sindicato

 

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) já repudiou mais esta agressão a um clínico e aponta ao dedo à tutela.

“A tutela, ao obrigar os Médicos de Família a desempenhar múltiplas funções, como sejam a triagem à porta dos centros de saúde, escalas de atendimento a doentes com sintomas respiratórios (ADR), Trace-covid, determinações para acompanhamento de utentes com Covid-19 nos lares de idosos, entre toda a carga burocrática que sobrecarrega os Médicos de Família, está a contribuir para uma diminuição da acessibilidade dos utentes aos seus médicos, gerando situações iminentemente explosivas de revolta por parte dos utentes, com potencial para uma escalada de agressões como a que se verificou em Almada”, diz o SMZS em comunicado.

“O Governo nada tem feito para garantir as condições de trabalho e a segurança dos seus profissionais nem para melhorar o atendimento aos utentes através do reforço de meios, insistindo numa política de desinvestimento que leva a insuficiente oferta de cuidados e até ao encerramento de alguns serviços”, acrescenta.

O SMZS responsabiliza o Governo por esta tendência crescente de violência contra os médicos e reitera a necessidade urgente de adoção de medidas que garantam a sua segurança no exercício das suas funções.

TC/COMUNICADO

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