Uma médica de Medicina Geral e Familiar foi agredida esta quarta-feira, no Centro de Saúde de Santo António e Laranjeiro, depois de ter informado uma utente de que a consulta que esta tinha pedido para marcar só teria lugar hoje, quinta-feira.

A utente reagiu agredindo a médica Eugénia Cheptene, tendo-lhe desferido “murros e puxões de cabelo”, que lhe “danificaram os óculos”, avançou fonte da PSP ao Expresso. A agressão ocorreu antes da dez da manhã durante a habitual triagem aos doentes que têm consulta marcada e os que querem ser atendidos sem marcação.

A médica levou “o cartão de utente da filha da agressora ao Dr. Feliciano, médico de família atribuído, e ao secretariado clínico, que marcou uma consulta para [quinta-feira] às 8.30 horas”, como relatou a própria médica ao Jornal de Notícias.

“Quando e comuniquei a que horas era a consulta, começou logo a gritar. Não quis aceitar o papel da marcação. Depois passou para as agressões verbais: és uma arrogante, és uma merda”, conta Eugénia Cheptene, de 53 anos, que admite que terá de procurar apoio psicológico depois desta agressão. A agressora não foi detida pela PSP, uma vez que quando os agentes chegaram ao local o crime já tinha ocorrido.

 

Excesso de trabalho cria “situações explosivas”, diz Sindicato

 

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) já repudiou mais esta agressão a um clínico e aponta ao dedo à tutela.

“A tutela, ao obrigar os Médicos de Família a desempenhar múltiplas funções, como sejam a triagem à porta dos centros de saúde, escalas de atendimento a doentes com sintomas respiratórios (ADR), Trace-covid, determinações para acompanhamento de utentes com Covid-19 nos lares de idosos, entre toda a carga burocrática que sobrecarrega os Médicos de Família, está a contribuir para uma diminuição da acessibilidade dos utentes aos seus médicos, gerando situações iminentemente explosivas de revolta por parte dos utentes, com potencial para uma escalada de agressões como a que se verificou em Almada”, diz o SMZS em comunicado.

“O Governo nada tem feito para garantir as condições de trabalho e a segurança dos seus profissionais nem para melhorar o atendimento aos utentes através do reforço de meios, insistindo numa política de desinvestimento que leva a insuficiente oferta de cuidados e até ao encerramento de alguns serviços”, acrescenta.

O SMZS responsabiliza o Governo por esta tendência crescente de violência contra os médicos e reitera a necessidade urgente de adoção de medidas que garantam a sua segurança no exercício das suas funções.

TC/COMUNICADO

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