19 Mai, 2021

Mais de 600 mil utentes da região de Lisboa não têm médico de família

Lisboa e Vale do Tejo é a região que concentra a maior parte dos utentes sem médico. No Norte e Centro, a cobertura é mais elevada.

Em abril, 865 734 dos cidadãos inscritos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tinham médico de família atribuído, o que representa 8,4% da população nacional, revela o jornal Público. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), são quase 620 mil sem médico assistente (mais de 16% da população desta zona do país).

Disponíveis no site BI-CSP (Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários), os dados relativos ao mês de abril revelam que ainda existe um longo caminho a percorrer no sentido de cumprir a promessa de António Costa relativa à garantia de que todos os portugueses teriam médico de família até ao final da legislatura.

No Algarve, 6,8% do total de inscritos no SNS não têm médico assistente atribuído e no Alentejo a percentagem assenta nos 6,3%. Já nas regiões do Centro e do Norte, a cobertura é mais elevada, com 4,8% e 2,5% da população descoberta respetivamente.

Questionada sobre este problema, a Ministra da Saúde admitiu que ainda não foi possível garantir a cobertura total da população, ressaltando que o Governo não irá desistir de trabalhar para esse objetivo. “É um facto que estamos ainda longe das metas a que nos propusemos, mas os 935 médicos de família que esperamos contratar este ano (…) vão certamente ajudar-nos a contrariar esta tendência”, explicou à agência Lusa.

Já esta quarta-feira, no parlamento, Marta Temido indicou que a situação se tem vindo a agravar “porque se continuam a verificar — e eram previstas — aposentações. Só este ano aconteceram mais de 100 aposentações de especialistas de medicina geral e familiar, mas, por outro lado, temos também mais 59 mil inscritos nos cuidados de saúde primários só neste quadrimestre. Muitos utentes cuja inscrição estava inativa, porque não eram utilizadores e reativaram a sua inscrição com a procura de cuidados de saúde e de vacinação”.

No Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Governo reconhece o problema, assumindo que é fundamental “esbater as assimetrias regionais que subsistem na resposta”, uma vez que a escassez de médicos de família é significativamente mais elevada nas regiões do Sul.

Relativamente a estes dados, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, explicou que “estamos em anos de picos de reformas”, o que justifica que as entradas de recém-especialistas nos dois concursos anuais não têm sido suficientes para dar resposta ao crescente número de aposentações. Este salienta ainda que, nestes concursos, muitas vagas ficam por preencher.

Segundo Nuno Jacinto, o cerne da questão assenta num esforço direcionado para garantir que os médicos que acabam o internato se fixem no SNS.

SO

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