17 Mar, 2017

Maioria de Esquerda rejeita voto de protesto do PSD por declarações do ministro da Saúde

Os partidos de esquerda e o PAN rejeitaram hoje um voto de protesto apresentado pelo PSD contra declarações do ministro da Saúde e criticaram a forma como foi utilizado este instrumento parlamentar

Os partidos de esquerda e o PAN rejeitaram hoje um voto de protesto apresentado pelo PSD contra declarações do ministro da Saúde e criticaram a forma como foi utilizado este instrumento parlamentar.

O voto, que contou com o apoio do CDS-PP, protesta contra declarações proferidas por Adalberto Campos Fernandes na passada segunda-feira, em Santo Tirso (Porto), à margem do Fórum Nacional SNS (Serviço Nacional de Saúde), quando questionado sobre as obras da segunda fase do Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia /Espinho.

Nessa ocasião, o ministro salientou que “desde 2010/2011 que o Serviço Nacional de Saúde parou em termos de reabilitação e de reinvestimento” e que “é um esforço enorme para o atual Governo iniciar o processo de reabilitação e cooperação num quadro em que as finanças públicas ainda estão, como é sabido, com grandes exigências”.

“Pretender que o período de 2011 a 2015 correspondeu a uma época de desinvestimento é não só uma falácia, como uma mentira que não pode deixar de merecer formal protesto”, refere o voto, que foi apresentado pelo deputado Miguel Santos.

O vice-presidente da bancada social-democrata salientou que, no mandato do anterior Governo PSD/CDS, foram abertos sete novos hospitais e 37 novos centros de saúde, apesar dos constrangimentos financeiros, considerando que as declarações do ministro tiveram “o intuito de iludir os portugueses”.

Na resposta, a deputada do PS Maria Antónia Almeida Santos considerou “no mínimo lamentável” trazer um voto de protesto ao plenário da Assembleia da República sobre “uma parte de uma afirmação do ministro da Saúde desinserida de contexto”.

“Não é desta forma que o PSD consegue trazer a crispação social que procura”, criticou a dirigente socialista.

A deputada do PCP Paula Santos lamentou igualmente a utilização feita pelo PSD da figura do voto de protesto, sobretudo depois do debate e apelo feito na conferência de líderes parlamentares para alguma moderação dos partidos no recurso a estas figuras.

“Agora temos a novidade de termos votos sobre declarações de membros do Governo”, criticou, acusando o PSD de querer “esconder as consequências” da sua política na área da saída.

Na mesma linha, o deputado do BE Moisés Ferreira ironizou que o PSD recorreu ao voto de protesto “porque não existe a figura regimental do voto de branqueamento”.

“O PSD vive na esperança que a população esqueça do que fizeram quando estiveram no Governo”, acusou.

Apenas o CDS-PP, anterior parceiro de coligação, ficou ao lado do PSD, com a deputada Isabel Galriça Neto a manifestar discordância com o teor das afirmações do ministro da Saúde e a condenar “a política de endividamento crescente no SNS do atual Governo”.

MM/Lusa/SO

 

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