27 Jun, 2018

Lista de espera para oftalmologia não pára de aumentar e já ultrapassa os seis meses

No ano passado, ficaram por fazer mais de 233 mil consultas. Há mil oftalmologistas em Portugal mas menos de metade trabalha no SNS. Autores da Estratégia Nacional para a Saúde da Visão defendem a criação de consultas nos centros de saúde.

Não pára de aumentar o número de utentes que aguarda por um consulta de oftalmologia em hospitais públicos. Só no ano passado ficaram por fazer mais de 233 mil consultas, o que representa um aumento de 29% em relação a 2016, avança o jornal Público na edição desta terça-feira.

Apesar de as unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) até terem feito mais 0,6% consultas em 2017 em comparação com o ano anterior, a lista de espera cresceu. No total, e em média, era necessário esperar 180 dias (seis meses) no ano passado, mais nove dias do que em 2016, para ter consulta de oftalmologia. Os tempos de espera são “inaceitáveis”, dizem os responsáveis pela Estratégia Nacional para a Saúde da Visão, um documento que traça o cenário das carências da rede pública e define a estratégia para o setor nos próximos anos.

Consultas nos centros de saúde?

O documento, que foi apresentado esta terça-feira, em Lisboa, propõe a criação de consultas de oftalmologia nos cuidados de saúde primários (Unidades de Saúde Familiar e Centros de Saúde), com o objetivo de aliviar as listas de espera que pressionam os serviços dos hospitais e também o alargamento e uniformização dos rastreios de saúde visual infantil e da retinopatia diabética, numa perspetiva de prevenção. Isto implicará equipar cada agrupamento de centros de saúde com um gabinete de consulta, o que permitirá aliviar os hospitais de um grande volume de atendimentos para cuidados indiferenciados e possibilitará uma resposta mais célere e eficiente.

Outra proposta que vai no sentido de prevenir os problemas oftalmológicos, e assim evitar futuros riscos para a saúde e gastos para o SNS, é a criação de “pontos de observação”, igualmente nos cuidados de saúde primários, para a identificação nas pessoas com 60 anos de doença ou factores de risco para o glaucoma e a degenerescência macular da idade — as duas principais causas de cegueira na população adulta no mundo ocidental.

Os autores do documento alertam para a urgência de uma estratégia a médio prazo, já que o envelhecimento da população, somado a doenças como a diabetes, potencia o aumento da incidência de doenças oftalmológicas, como a retinopatia diabética ou as cataratas.Também os rastreios, que já estão a funcionar no terreno, introduzem no sistema novos doentes com necessidade de resposta imediata, acrescentam.

Esperar dois anos por uma consulta

A capacidade de resposta atual está muito abaixo do que seria desejável. Os especialistas que elaboraram a Estratégia Nacional para a Saúde da Visão lembram que “os serviços de oftalmologia dos hospitais públicos estão há muitos anos no limite da capacidade assistencial”. Há unidades, como o Centro Hospitalar do Oeste, onde a espera média ultrapassa os dois anos, mesmo para os casos considerados muito prioritários – cujos doentes deveriam ser vistos por um médico no prazo máximo de 30 dias. Este problema não é novo e radica nas “insuficiências crónicas” da rede de cuidados do SNS, explicam.

A carência de oftalomologistas é talvez a principal causa a contribuir para este cenário. São mais de mil os especialistas que estão inscritos na Ordem dos Médicos mas menos de metade (44%) trabalha no SNS, que precisaria, estimam os autores do relatório, de pelo menos, mais 114 especialistas e 80 a 90 ortoptistas, técnicos que fazem a avaliação do funcionamento da visão.

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