17 Out, 2018

Laboratório chinês multado em mais de mil milhões de euros por vacinas ilegais

A empresa farmacêutica chinesa envolvida no escândalo de vacinas com defeito ocorrido no verão terá de pagar uma multa equivalente a mais de mil milhões de euros, anunciaram as autoridades.

Os serviços de Saúde chineses detetaram em julho um processo de produção ilegal de vacinas contra a raiva num laboratório da província de Jilin, no nordeste da China, e o caso provocou controvérsia junto da opinião pública do país. A empresa autora do crime, Changchun Changsheng, falsificou registos de produção e modificou parâmetros de fabrico. Quinze pessoas foram detidas.

“O montante total do dinheiro apreendido e das multas infligidas atingirá os 9,1 mil milhões de yuans (1,1 mil milhões de euros)”, indicaram em comunicado conjunto a Administração Estatal dos Medicamentos e o Departamento de Controlo dos Produtos Alimentares e Farmacêuticos da província de Jilin, onde se situa a sede do laboratório.

Este montante inclui nomeadamente a apreensão de 1,89 mil milhões de yuans de receitas geradas pela venda das vacinas com defeito.

No comunicado, o laboratório é acusado de ter modificado centrifugadoras, de ter misturado mal as soluções-base durante a produção e ainda de ter “destruído discos duros e provas para esconder os seus atos ilegais”. Um total de 14 dirigentes, entre os quais a presidente do conselho de administração, Gao Junfang, não poderão mais trabalhar na indústria farmacêutica.

A multa anormalmente pesada imposta à Changchun Changsheng surge num contexto de extrema sensibilidade sobre as questões da saúde infantil da opinião pública na China. Devido à política de redução dos nascimentos, a maior parte dos casais só tem um filho.

Logo no início do escândalo, o Presidente chinês, Xi Jinping, juntou-se aos protestos, condenando as práticas “desprezíveis e chocantes” da empresa farmacêutica.

Em agosto, muitos responsáveis políticos e de organismos de controlo dos medicamentos foram demitidos das respetivas funções, e iniciou-se uma inspeção nacional aos laboratórios de fabrico de vacinas, mas muitos pais dizem que deixaram de ter confiança nas doses produzidas na China.

As autoridades chinesas impõem com alguma frequência multas a empresas culpadas de irregularidades, mas os montantes raramente alcançam mil milhões de euros.

Em março, o organismo que fiscaliza os mercados bolsistas infligiu uma sanção de 5,5 mil milhões de yuans (690 milhões de euros) a uma firma acusada de manipulação de preços.

A subsidiária chinesa da marca automóvel norte-americana General Motors teve de pagar, em 2016, 201 milhões de yuans (25 milhões de euros) por concertação ilegal de preços com concessionários.

No ano anterior, uma ‘joint venture’ da McDonald’s na China, que fornecia à marca norte-americana de ‘fast food’ batatas fritas, foi condenada ao pagamento de uma multa de 566.500 euros por poluição da água.

A gigante farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) teve, em 2014, que pagar três mil milhões de yuans (375 milhões de euros) por corrupção.

Em 2008, um enorme escândalo relacionado com leite em pó para bebés contaminado (seis crianças morreram, mais de 300.000 foram contaminadas) causou grande indignação. A empresa Sanlu, então uma das joias da indústria nacional de laticínios, foi condenada a pagar uma multa de 50 milhões de yuans (6,2 milhões de euros).

LUSA

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