IPO do Porto pede que educação sobre dádiva de medula óssea seja integrada no currículo escolar
O transplante de medula óssea salva vidas, mas ainda existem muitos mitos em torno do procedimento. O IPO do Porto defende maior aposta na literacia em saúde, desde a escola.

Apostar na educação sobre a dádiva de medula óssea deve ser uma prioridade nacional, integrada no plano de formação escolar, apela o Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto. Em declarações à agência Lusa, e antecipando o Dia Mundial do Dador de Medula Óssea, que se assinala a 20 de setembro, a diretora do serviço, Susana Roncon, destacou que “cada vez são precisos mais dadores”, uma vez que “cada vez há mais doentes que podem ser, potencialmente, curados com o transplante”.
O transplante de medula óssea é considerado vital para doentes com leucemias, anemia aplástica e outras doenças graves. No entanto, cerca de 30% dos doentes não encontram um dador compatível, apesar dos milhões de voluntários registados em todo o mundo.
Susana Roncon realçou que a escola pode ter um papel determinante na divulgação de informação e na promoção da cidadania entre os jovens. “Mesmo que ainda não possam inscrever-se como dadores, podem ser veículos de informação junto da família, dos amigos e da comunidade”, afirmou.
Segundo a responsável, o desconhecimento continua a ser um dos principais obstáculos. Em 2023, o IPO do Porto avaliou o nível de literacia sobre o tema em associações de estudantes de Medicina e Enfermagem do Norte do país, tendo concluído que 80% dos jovens nunca tinham ouvido falar da dádiva de medula óssea.
Já este ano, fruto de uma parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, centenas de alunos de escolas secundárias participaram em sessões de esclarecimento e visitas ao IPO, onde contactaram diretamente com dadores. Muitos descobriram que a colheita já não é um procedimento cirúrgico complexo: “O processo é simples, o dador está consciente, pode ler, ver televisão ou conversar, e em duas a três horas está concluído”, explicou Susana Roncon.
Para reforçar a literacia sobre o tema, o IPO do Porto propôs ainda à Ordem dos Médicos que estas ações de sensibilização passem a integrar os cursos de Medicina.
As iniciativas em Gaia vão culminar a 20 de setembro, no Parque da Lavandeira, com a apresentação de projetos criados pelos próprios alunos, acompanhada de testemunhos de dadores e transplantados. No dia seguinte, 21, realizar-se-á uma caminhada solidária, entre a Marina da Afurada e a Praia das Pedras Amarelas. “Incluir a literacia sobre a dádiva de medula óssea no currículo escolar é um investimento em vidas humanas e em esperança para milhares de doentes que aguardam um transplante”, concluiu a diretora do Serviço de Terapia Celular do IPO do Porto.
SO/LUSA
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