27 Jun, 2017

Investigadores do i3S descobrem molécula que dificulta combate à “leishmaniose”

A molécula libertada pelo parasita da doença infecciosa "leishmaniose" inativa determinadas células que são responsáveis pela defesa do organismo e dificulta o combate à doença

A molécula identificada – um glicolípido (misto de lípidos com açucares) – é libertada pelo parasita ‘leishmania’, que origina a ‘leishmaniose’, e tem a capacidade de bloquear a função das células de defesa, designadas por ‘natural killer T’ (iNKT), que atuam nestes casos, revelou à Lusa a coordenadora do projeto, Anabela Cordeiro da Silva.

Com esta descoberta, os investigadores do Instituto de Investigação e Inovação do Porto pretendem criar um anticorpo que neutralize o glicolípido libertado pelo parasita, usado como arma para bloquear as defesas que o organismo produz, inativando-o e impedindo que escape ao sistema imunológico.

A ‘leishmaniose’ é uma doença infecciosa pode ser transmitida entre cães e humanos, através da mosca da areia ou de sangue contaminado, disponível, por exemplo, nos bancos de sangue ou nos órgãos transplantados, explicou.

De acordo com a investigadora, a doença, que existe a nível cutâneo (pele), muco cutâneo (pele e mucosas) e visceral (órgãos viscerais, como o fígado, o baço e o intestino), torna-se crónica caso não seja tratada convenientemente.

Os casos da doença cutânea e a muco cutânea concentram-se, essencialmente, na América do Sul e África, enquanto a visceral é registada em maior número na bacia do mediterrâneo (Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia), na Índia, no Brasil, no Sri Lanca e em Bangladesh.

Em Portugal, “infelizmente”, não se faz o rastreio para a ‘leishmania’, o que investigadora considera “uma falha grave” do Sistema Nacional de Saúde, em termos preventivos. Anabela Cordeiro da Silva indicou ainda que, neste momento, as únicas vacinas contra esta doença são as caninas, que têm uma eficácia reduzida e “mascaram&#