25 Fev, 2019

Instituto i3S do Porto em projeto europeu para estudar dor esquelética

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) integra um projeto europeu, destinado a estudar a dor esquelética, que foi financiado pela União Europeia com 4,4 milhões de euros, divulgou hoje aquela entidade.

O projeto “BonepainII” é uma Rede Europeia de Formação Inovadora (ITN) destinada a promover a investigação, inovação e educação na área da dor esquelética e conta com a participação de seis países europeus, englobando oito grupos de investigação e quatro empresas.

Em comunicado, o i3S explica que o objetivo é formar 15 jovens especialistas no estudo da dor óssea e no desenvolvimento de novas terapias. A missão do grupo de investigação português é desenvolver modelos experimentais que recriem da melhor forma o ambiente das metástases ósseas.

As dores ósseas, sejam elas associadas às artroses, fraturas causadas pela osteoporose, doenças raras ou metástases ósseas, afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

De acordo com o i3S, apesar de se tratar de uma dor muito debilitante e que afeta fortemente a qualidade de vida de muitas pessoas, a investigação sobre a dor óssea é ainda muito limitada.

“No nosso grupo – explica a investigadora do i3S Meriem Lamghari – vamos desenvolver um modelo ‘in vitro’, baseado em ‘chips’ que simulam a complexidade e o ambiente dos órgãos humanos”, explica no comunicado.

Esses modelos 3D “permitem recriar uma realidade ‘in vitro’ muito semelhante à realidade, permitindo, no nosso caso, estudar a interação entre as células nervosas, as ósseas e as cancerígenas”, esclarece.

Para uma melhor compreensão deste tipo de dor, os investigadores portugueses irão adaptar os modelos 3D em ‘chip’ que já desenvolveram para outros estudos, colocando em diferentes compartimentos células nervosas, células ósseas e células cancerígenas.

O ambiente de interação nestes ‘chips’, para simular a interação entre células no órgão humano, é garantido por minúsculos canais que permitem às diferentes células comunicarem entre si.

Por exemplo, “sabemos que em situação de metástase óssea, as fibras nervosas no local sofrem um aumento significativo no seu crescimento. Queremos saber por que razão elas crescem de formam anormal nestas situações, qual dos três grupos de células está a enviar sinais e para quem”, sublinha Meriem Lamghari.

Além disso, acrescenta, “estes modelos 3D também podem ser utilizadas para testar potenciais terapias”.

O trabalho da investigadora do i3S, denominado “Modelos 3D de base microfluídica para abordar o crescimento das fibras nervosas patológicas associadas a metástases ósseas”, que integra o projeto “BonepainII”, é financiado pelo programa de investigação e inovação Horizonte 2020 da União Europeia no âmbito do Marie Sklodowska-Curie.

Este trabalho articula-se com outro projeto europeu denominado “RESTORE”, no qual a investigadora do i3S é coordenadora, e que se centra na regeneração de cartilagem do joelho.

LUSA

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