23 Jul, 2018

INEM pode ser alternativa para médicos sem especialidade

Sindicato Independente dos Médicos propõe que médicos "indiferenciados" podem ser colocados no INEM, como forma de responder à escassez de recursos humanos que o instituto atravessa.

Os jovens médicos que não conseguiram colocação no concurso de acesso ao internato poderão ter no INEM uma alternativa para exercer a profissão. A proposta é do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que defende ser necessário encontrar soluções para os chamados clínicos “indiferenciados”.

O número de médicos que não conseguem vaga para uma especialidade ascende já a dois mil. Desde 2015 que o número de candidatos é superior à capacidade formativa do SNS. Tal como em 2017, este ano cerca de 700 candidatos ficaram de fora (estavam disponíveis 1665 vagas para 2341 candidatos), sendo que este cenário deverá manter-se ou até agravar-se nos próximos anos devido à falta de especialistas que assegurem a formação dos jovens médicos.

Perante este cenário, o SIM apela ao Ministério da Saúde para que contrate estes médicos, de modo a reforçar a emergência pré-hospitalar, que, neste momento, atravessa um período de escassez de recursos humanos. Este mês, o presidente do INEM, Luís Meira, admitiu que o instituto tem tido “dificuldades efetivas” para garantir o funcionamento do dispositivo, o que prejudica a rapidez da resposta nas situações de emergência.

 

INEM recorre a tarefeiros

 

“O SIM tem conhecimento que dezenas de médicos não especialistas estão a exercer em Serviços de Urgência e no INEM através de empresas de prestação de serviços”, diz o sindicato em comunicado. Ao DN, o presidente do SIM, Jorge Roque da Cunha, garante que quase metade da atividade do INEM é feita por tarefeiros. “O INEM tem apenas três médicos no quadro, que estão no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU); 40% da atividade do INEM é feita com recurso a tarefeiros, não há um único médico do quadro nas viaturas médicas. É, portanto, uma área em que os médicos sem especialidade podem ser aproveitados”, defende.

Roque da Cunha explica que estes médicos teriam de ter uma formação garantida pelo INEM e que esse curso seria “mais aprofundado do que os de suporte básico de vida”. O presidente do SIM diz que vai levar a proposta a futuras reuniões com o ministro da Saúde. O SIM propõe ainda que estes médicos possam ser utilizados nas escolas, na área da medicina desportiva ou na gestão de serviços de saúde.

Dentro da Ordem dos Médicos, esta possibilidade é vista com bons olhos. A coordenadora do Conselho Nacional do Médico Interno revela que as propostas do SIM estão em discussão mas ainda não há uma posição oficial da Ordem em relação a este tema. “Os médicos sem especialidade terão de seguir outros caminhos. O país não pode desperdiçar recursos e a formação desses profissionais tem de continuar, não se pode deixar estes médicos apenas a fazer prestações de serviços em centros de saúde, por exemplo”, frisa Cristina Perry da Câmara.

Contra a ideia está a Associação dos Estudantes de Medicina (ANEM), que continua a defender que a solução tem de passar pela redução dos numeros clausus das universidades. “Até entendo que tem de haver resposta nesta área. É útil dar formação, por exemplo, na área do suporte avançado de vida, mas temos de pensar que estas pessoas não queriam esse rumo. O problema tem de ser resolvido a montante, com a redução dos numerus clausus”, diz o presidente da ANEM, Edgar Simões, ao DN.

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