5 Abr, 2018

INEM está duas vezes mais lento. PSD quer ouvir o presidente do instituto, CDS culpa Centeno

INEM demorou, em 2017, 36 segundos em média a atender chamadas de socorro, o dobro do tempo de resposta de 2016. PSD e CDS alertam para a falta de recursos humanos no instituto e acusam o ministro das Finanças de estar a degradar a resposta aos doentes.

O PSD anunciou esta quarta-feira que quer ouvir com urgência o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) no parlamento, para dar explicações sobre a “situação de atraso no atendimento” aos cidadãos e os meios daquele organismo. Já o CDS responsabiliza o ministro das Finanças, Mário Centeno, e também os partidos do governo pela degradação dos serviços prestados pelo INEM.

Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o deputado social-democrata Adão Silva adiantou que o PSD quer também que o presidente do INEM, Luís Meira, dê a “conhecer as conclusões do tal estudo que foi mandado fazer pelo senhor ministro da Saúde”, há mais de um ano, sobre os meios do instituto a que preside.

O PSD requereu esta audição na Comissão de Saúde na sequência da notícia avançada ontem pelo jornal Público segundo a qual, “no ano passado, o INEM demorou 36 segundos, em média, a atender chamadas de socorro, o dobro do tempo de resposta de 2016”. De acordo com o Público, o “défice de recursos humanos é a explicação avançada” pelo instituto.

“Por um segundo se ganha e por um segundo se perde uma vida, e o INEM tem a obrigação de salvaguardar a vida das pessoas”, afirmou Adão Silva, salientando que o próprio presidente do INEM “vem dizer que há um problema na falta de pessoal, que cerca de 350 trabalhadores faltarão no INEM”.

Neste contexto, o deputado do PSD considerou “muito infeliz” que o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, tenha afirmado “somos todos Centeno”, na semana passada, no parlamento.

“Aparentemente, é pelo facto de o ministro das Finanças não autorizar o recrutamento dos funcionários necessários para o INEM que nós estamos numa situação de atraso no atendimento das pessoas”, sustentou, exigindo que “rapidamente o Governo ponha os meios necessários – o senhor ministro da Saúde, e, se necessário, que recorra ao senhor ministro das Finanças – para que o INEM cumpra com eficácia a sua função”.

O PSD quer esclarecer, “afinal, que recursos humanos e que recursos técnicos é que são necessários para que funcione bem o INEM” e se “é isto, apenas, a razão deste aumento para o dobro do tempo de médio de espera quando um cidadão telefona para o INEM em busca de socorro”.

Também o CDS insiste na ideia de que a saúde está condicionada pelas autorizações dadas pelas Finanças. A deputada Isabel Galriça Neto assinalou que “é o próprio presidente do INEM que diz que faltam 350 funcionários ” e sustentou que isso confirma as denúncias do seu partido sobre “a austeridade de Centeno” no setor da saúde.

“Esta notícia, que não pode ser escondida, como tantas outras, é a confirmação de que as políticas de Mário Centeno têm sido feitas à custa da degradação dos serviços de saúde. Os portugueses estão seguramente conscientes disso, e o CDS vai continuar a reclamar que tem de haver uma resposta diferente”, afirmou.

Numa alusão à frase do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, “somos todos Centeno”, a deputada do CDS-PP dirigiu-se aos “partidos da esquerda, que pelos vistos também são Centeno, porque aprovam os seus orçamentos” e disse esperar que “tomem uma posição clara e não alimentem equívocos, porque de facto são corresponsáveis por este tipo de resultados”.

Segundo Isabel Galriça Neto, o tempo de resposta no INEM aumentou devido a “mais um conjunto de cativações de gaveta em que o ministro Centeno não autorizou a contratação de profissionais, e é o próprio presidente do INEM que o verifica, que o reconhece”.

“É grave, porque isso decorre da falta de contratação de profissionais que o ministro Mário Centeno não autorizou. Isto é austeridade e vetos de gaveta, que têm acontecido em muitos outros casos na saúde, este é mais um caso”, reforçou, considerando que esta situação é motivo de “grande preocupação para o país”.

LUSA/ SO

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